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As razões de Samakuva

Samakuva vai continuar à rente da UNITA até ao próximo congresso ordinário do partido. Isto é, até pelo menos 2020, se não estiver enganado. Uma primeira leitura sugere que a UNITA pode não querer gastar dinheiro com um congresso extraordinário. E mais ainda sem se saber quando serão realizadas as eleições autárquicas.

POR: José Kaliengue

Mas, para estas, de certeza que o Estado disponibilizará dinheiro. Há outras leituras, para além da vontade de Samakuva de ficar. Os estrategos e a parte mais conservadora da UNITA podem não ter visto ainda um bom sucessor para o “maninho”.

Pode-se pensar também que a ideia passa por encontrar um rosto novo perto das próximas eleições, que avance sem estar “queimado” ou desgastado, em termos de imagem. Mas há mais. Samakuva, que não foi à tomada de posse do Presidente João Lourenço, foi até hoje o único líder da Oposição a ser recebido pelo chefe de Estado. E foi-o, quase a seguir à investidura.

O que falaram os dois? Terá isso pesado para que Samakuva voltasse atrás na sua decisão anunciada pública e voluntariamente? Depois, o Presidente anunciou querer um Parlamento mais fiscalizador da acção do Governo. A UNITA é o maior partido da Oposição parlamentar, como se sabe. E, mais recentemente, Samakuva desfez-se em elogios à acção do Presidente João Lourenço.

Eu cá acho que Samakuva se animou com um clima político mais distendido, antevendo um jogo em que não haverá a “batota habitual” conforme se tem queixado e, para o seu próprio orgulho, quererá sair com algumas autarquias no “bolso” da UNITA. Ao menos isso. E terá assim obtido alguma coisa.

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