Falta de combustível: chegou a vez de Benguela e…

A escassez de combustível na província de Benguela tem sido motivo de diversos constrangimentos no quotidiano dos benguelenses, que vão desde a limitação na mobilidade à falta nos empregos para permanecerem horas a fio em filas intermináveis nos postos de abastecimento

Por: Zuleide de Carvalho em Benguela 

Há falta de combustível em Benguela. Facto visível nos postos de abastecimento, mais vezes encerrados do que em funcionamento, e aqueles que vão tendo gasóleo ou gasolina, geram fiadas de veículos que rondam quarteirões.

A situação vem prejudicando a vida dos cidadãos há quatro dias, quer os locais, quer os de passagem, que rumando a Norte ou Sul, são forçados a pernoitar em Benguela, faltandolhes combustível para prosseguir viagem. Esta crise, com penúria em gasóleo e gasolina, sente-se evários municípios, levando automobilistas a arriscar os últimos litros do líquido mais precioso do momento, para chegarem ao Lobito e darem cara com o mesmo cenário: escassez.

A desordem causada por um único factor, a ausência de combustível, repercurte-se em direcções múltiplas. Nas ruas onde há postos abastecidos de gasóleo ou gasolina, o trânsito é caótico. Na fila da bomba da Sonangol, no mercado municipal de Benguela, há condutores que desrespeitam as regras de trânsito e estacionam viaturas em vias de acesso, interrompendo-as. Tudo, para não perderem o lugar nas fileiras.

A ausência de combustível tem despoletado uma onda de desentendimentos, arrelias, histerias e pancadaria mesmo entre os utentes que aguardam, estafados, com os seus bidões, motociclos, carros ou camiões, pela sua vez de serem atendidos.

Combustível ausente = Paciência em abundância Para além de todos os aspectos negativos que a limitação no acesso ao combustíveis tem causado, a paciência dos Benguelenses também tem sido posta à prova. Isto porque, são obrigados a passar por todos os postos de abastecimento que conhecem, sendo cerca de 10 no município sede, e esperar longas horas nas fileiras das bombas que têm o recurso em quantidades escassas. Um exemplo é o posto de abastecimento da Sonangol, na Av. Dr. António Agostinho Neto, em Benguela, onde, ontem, Sextafeira, os carros faziam uma linha com mais de duzentos metros de comprimento.

O panorama numa bomba da Pumangol, às 9h da noite de Quinta-feira, era pior, pois viase um aglomerado de camiões e turismos ocupando centenas de metros na via com duas faixas de rodagem, impossibilitando ultrapassagens. Assim, foi preciso dar muito da sua paciência para que o cidadão Armando Prazeres, professor, conseguisse comprar, ontem, pela manhã, às 9h:50, 20 litros de gasolina. Chegara ao local às 6h da manhã, porém, abastecido o bidon de 20L, a espera não terminara pois, tinha a viatura a marcar lugar na fila de automóveis, com o depósito no final da reserva. Com esperança reavivada, comprando parte do combustível de que precisava, declarou: “o meu filho teve de ficar numa fila bem comprida dos bidões, mas, a minha viatura, ainda tem à frente 5 ou 6 carros”. A procura foi exaustiva, forçando-o a passar a Quinta-feira inteira à busca do líquido por Benguela e Lobito fora, onde permaneceu em interminá