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Carta do leitor: A mendigar por biblioteca

Votos de um bom dia, senhor director do jornal OPAÍS, feliz Natal e um novo ano próspero. Senhor director, faz tempo que eu não leio um bom livro, isto porque cá no meu bairro, Grafanil-bar, não existe biblioteca, nem uma casa de leitura qualquer, posso assim dizer.

POR: Osvaldo Brandão, Grafanil

Vivi durante muito tempo numa casa de aluguer no Maculusso, quando trabalhava como chefe de cozinha num restaurante, mas infelizmente pelo facto de o estabelecimento ter falido, fui obrigado a mudar-me para o bairro descrito acima. Lá no Maculusso, eu tinha a paciência de ir à Mediateca de Luanda, à Biblioteca Nacional e a outras bibliotecas circunvizinhas.

Já cá no Grafanil-bar, bairro suburbano, não tenho acesso a leitura, tenho saudades de ler um bom livro. Como querer incentivar as pessoas a lerem sem biblioteca? Para as pessoas lerem tem de se facilitar o acesso aos livros. É mais comum ver um menino a lutar do que a pegar num livro. Isto está mal! Muito mal! Talvez se eu tivesse possibilidades, deixando a gabarolice de lado, prestaria auxílio aos mais jovens, criando pelo menos casas de leitura.

Com o montão de livros que tenho pensei até em instaurar um clube de leitura, mas o espaço não permite. Talvez não façam atenção à situação por se saber que é uma zona suburbana. Se quisermos ter, futuramente, uma sociedade engajada na leitura, temos de borrifar a raiz, construindo mais bibliotecas. Não é só o 1º de Maio que carece de bibliotecas, não é só lá que vivem pessoas, cá também vivem pessoas. Portanto, senhor director, gostaria que se construísse pelo menos uma biblioteca no Grafanil-Bar. Agradeço pela oportunidade que me foi dada, reitero uma quadra festiva tranquila.

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