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Presidente do Peru justifica perdão a Fujimori: “justiça não é vingança”

Segundo dia de protestos contra indulto concedido a Alberto Fujimori junta milhares de pessoas nas ruas. Manifestantes exigem a demissão do presidente e acusam Pedro Pablo Kuczynski de ser um “traidor”.

Mais de 5 mil pessoas voltaram a ocupar as ruas das principais cidades do Peru, em protesto contra o perdão concedido ao ex-presidente Alberto Fujimori. Os manifestantes consideram que o indulto serve de moeda de troca, num acordo político que permitiu ao actual chefe de Estado evitar a destituição. Pedro Pablo Kuczynski foi alvo de uma moção de censura, por ligações à construtora brasileira Odebrecht, envolvida no escândalo de corrupção Lava-Jato, mas conseguiu enfrentar a oposição com o apoio dos deputados do Força Popular, partido liderado por Keiko Fujimori, filha do antigo chefe de estado. O perdão presidencial chegou apenas três dias depois.

Numa mensagem transmitida na televisão peruana, o presidente Pedro Pablo Kuczynski justificou a decisão: “não devemos permitir que Alberto Fujimori morra na prisão. A justiça não é vingança. Qualquer indulto é por definição controverso. Há um grupo importante de peruanos contra este indulto”. Kuczynski assume que a “decisão é particularmente complexa e difícil”. Mas, acrescenta, “é a minha decisão”. Os manifestantes exigiam a anulação do perdão ao antigo chefe de Estado Alberto Fujimori, condenado em 2007 a uma pena de 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos e corrupção, na sequência de crimes, como assassínios e sequestros, cometidos entre 1990 e 2000, considerando que favorece a impunidade.

Numa nota oficial divulgada no Domingo à noite, lê-se que “o Presidente do Peru, usando os poderes que lhe são conferidos pela Constituição, decidiu conceder perdão humanitário a Alberto Fujimori e a outros sete presos”. Alberto Fujimori, de 79 anos, já havia pedido o perdão em meados deste mês devido ao seu estado de saúde debilitado. Segundo o comunicado agora emitido pela Presidência do Peru, uma junta médica avaliou a situação e verificou que Alberto Fujimori sofre de “uma doença progressiva, degenerativa e incurável”. A mesma junta considerou que as condições que o antigo governante tinha na prisão significariam um risco grave para a sua vida, saúde e integridade. No Sábado, Alberto Fujimori foi transferido da prisão para uma clínica da capital, Lima, devido a tensão arterial baixa e arritmia, anunciou o seu médico.

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