Livro explosivo perturba agenda de Donald Trump

No mesmo dia em que era suposto “fechar-se” em Camp David com a liderança do Partido Republicano e discutir a agenda para os próximos tempos, as quais incluem a reparação de infra-estruturas, controlo de fronteiras e afins, o presidente Donald Trump deve que dispensar tempo a defender-se das alegações constantes num explosivo livro da autoria de Michael Wolff.

POR: Michael Brown em Nova Iorque

“Fogo e Fúria” é uma compilação de entrevistas e de outros dados que Michael Wolff recolheu durante a campanha eleitoral e após o empossamento de Donald Trump. Na posse destes dados, alguns dos quais, segundo Michael Wolff, recolhidos directamente junto do actual presidente, o autor compilou uma descrição pouco abonatória de Donald Trump. As alegações avançadas no livro de Michael Wolff são suportadas por declarações de membros do staff, alguns dos quais descrevem Donald Trump como uma criança, um idiota ou um tolo. Algumas das alegações mais sérias têm a assinatura de Steve Bannon, até há pouco tempo conselheiro e estratega principal de Donald Trump.

Afastado da Casa Branca há cerca de 4 meses. Bannon era tido até aqui como o homem que levou Trump a defender posições tidas como isolacionistas, as quais resultaram na renúncia ao acordo de Paris, e numa provável revogação de acordos de comércio com o México, Canadá e com a China. Bannon é citado como tendo dito que o encontro que Donald Trump Júnior, filho do presidente, e o Jared Kuchner, genro, tiveram com operativos russos na Trump Tower, em Nova Iorque, conformam actos de traição. Sugeriu igualmente que o maior problema de Jared Kuchner está na contabilidade das suas empresas, as quais podem esconder negócios suspeitos.

Bannon disse igualmente que Ivanka Trump, burra como um tijolo, aspirava ser um dia a primeira mulher a ser eleita presidente dos Estados Unidos.”Javanka” foi como Steve Bannon descreveu Jared e Ivanka enquanto “parelha” com aspirações políticas. Estas e outras descrições custaram a Bannon violentos ataques de correligionários do presidente. Bannon é tido como tendo sido a pessoa que mais vezes garantiu o acesso de Michael Wolff à Casa Branca. Um homem sem carácter. Nas oportunidades que teve de comentar o que lhe foi imputado por Wolff, Bannon declinou fazê- lo. Ao invés disse que o presidente era uma boa pessoa e por quem ele tinha estima. Enquanto isso alguns alguns apoiantes de Donald Trump entendem que o livro deveria chamar-se “False and Fake” tal a “quantidade de mentiras e imprecisões.

As revelações que Michael Wolff faz levaram os advogados do presidente a exigirem ao autor e à sua editora a cancelarem a sua publicação, inicialmente prevista para Segunda-feira próxima. Ao invés de responderem nos termos que os advogados do presidente esperavam, Wolff e a editora anteciparam o lançamento para esta Sexta-feira. É voz corrente que as posicões que o presidente dos EUA tomou no Twitter bem como aquelas que o seu staff adoptou nos talk show criaram mais interesse à volta do livro, o qual deverá atingir o topo de vendas na Amazon e noutras plataformas e receber o cobiçado título de best-seller do The New York Times. O lançamento nesta Sexta-feira eclipsou notícias boas para o presidente, tais como a criação de perto de 2 milhões de postos de trabalho em 2017, e recordes consecutivos na bolsa de Nova Iorque.