Luisa abrantes afirma que contrato entre semba e Tpa foi a convite de rabelais

Revelação foi feita num debate radiofónico promovido pela MFM sobre o estado da Nação que analisou os cem dias de governação de João Lourenço

Maria Luisa Abrantes, antiga presidente do Conselho de Administração da ANIP, esclareceu ontem, em Luanda, que a Semba comunicação e a Westside, empresas geridas pelos seus filhos José Paulino e Welwitcha dos Santos “Tchizé”, assinou o contrato com a Televisão Pública de Angola (TPA) a convite do antigo ministro da comunicação social, Manuel Rabelais Luisa Abrantes fez este pronunciamento num debate sobre o Estado da Nação promovido ontem pela Rádio MFM, no qual veio em defesa dos filhos, referindo que eles não fizeram nada de errado para estarem a ser humilhados na praça pública.

No debate aceso participaram também os jornalistas Ismael Mateus, Reginaldo Silva e o jurista Tito Cambanje. Em análise esteve, entre outros assuntos, os cem dias de governação do Presidente da República João Lourenço. Um comunicado do Ministério da Comunicação Social que colocou fim ao contrato das empresas privadas Westside e Semba Comunicações que geriam o canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA) e da TPA Internacional.

Segundo um comunicado do Ministério da Comunicação Social, a medida vem no cumprimento de orientações do Presidente da República, João Lourenço, para cessar todos os contratos referentes à gestão do Canal 2 e da TPA Internacional, os quais devem retornar ou passar para a esfera jurídica da TPA.

O comunicado refere que a emissão da TPA Internacional deve, por outro lado, cessar imediatamente, para permitir a completa reformulação da sua programação e a sua reentrada em funcionamento, o mais rápido possível. Para o efeito, o Conselho de Administração da TPA havia de nomear um profissional para dirigir o seu canal internacional, o qual deverá trabalhar sob supervisão directa do administrador executivo para a área de conteúdos, a fim de definir uma nova grelha de programas da TPA Internacional.

O Conselho de Administração da TPA assumiu a plena gestão e direcção do canal 2 desde 1 de Janeiro de 2018. “A TPA deverá, em conjunto com as empresas que até agora assumiram a gestão do Canal 2 e da TPA Internacional, encontrar as melhores soluções relativas aos equipamentos, estúdios e outras facilidades concedidas às empresas em questão, ao abrigo dos contratos hoje mandados cessar, velando igualmente pela situação dos trabalhadores da televisão pública que estão ao serviço daquelas empresas privadas”, conclui o comunicado assinado pelo titular da pasta, João Melo.

Em reacção, a Semba Comunicação divulgou que a gestão do segundo canal da Televisão Pública de Angola (TPA), que assumiu até 31 de Dezembro, custou mensalmente 50 milhões de Kwanzas mensais. A administração da empresa esclareceu que, no âmbito do “acordo comercial de parceria” entre a TPA e a empresa privada Westside Investments, a Semba Comunicação “foi contratada pela segunda”, por 50 milhões de kwanzas mensais.

O contrato, que foi rescindido a 15 de Novembro de 2017, por orientação do novo Presidente angolano, João Lourenço, envolvia “prestar serviços técnicos de produção de conteúdos, gestão de grelha, assistência técnica e formação de quadro”, o que a Semba Comunicação afirma representar “cerca de um décimo, comparativamente ao orçamento mensal da TPA”, que opera os dois canais nacionais e um internacional. A Semba Comunicação tem como sócios os irmãos Welwitschea ‘Tchizé’ e José Paulino dos Santos ‘Coreon Du’, filhos de José Eduardo dos Santos. Aquela empresa assumia desde 2007 a gestão do canal 2 da TPA .

“Quando o novo Governo entrou em funções encontrou um quadro legal, um contrato válido como milhares de contratos que as várias empresas públicas, ministérios e governos provinciais têm, sem qualquer concurso.

E não podem ser considerados ilegais por isso”, afirmou a também deputada e filha do exchefe de Estado. Segundo a Semba, durante a vigência desse compromisso, a empresa “assegurou a totalidade da operação com cerca de 150 técnicos”, através de formação própria.

Os funcionários eram “na sua maioria jovens que conquistaram o seu primeiro emprego, repartidos em quadros oriundos da TPA e outros contratados pela Semba, o que permitiu formar mais de 400 profissionais nacionais para o mercado”, explicou a empresa, em comunicado.

Desde o início de Janeiro que a gestão do canal 2 retornou à TPA, com uma grelha provisória que tem sido fortemente criticada pela opinião pública e nas redes sociais, face à alegada falta de qualidade. Contudo, a Semba explica que com o anúncio do fim do contrato, “foi disponibilizado” à televisão estatal, a 16 de Novembro, a sinopse e o quadro técnico de cada um dos programas da grelha que era garantida por este modelo, o que motivou a manifestação de interesse por parte da TPA, no passado dia 22 de Dezembro, e início de negociação directa, para a contratação de 27 profissionais” da empresa.