Redento Maia: “Estamos alinhados à estratégia de desenvolvimento do país”

Em entrevista exclusiva ao OPAÍS, o Decano da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, Redento Maia, realça a importância dos cursos de especialização que aquela unidade orgânica está a promover. O académico afirma mesmo que têm participado de forma activa para o crescimento do país, realizando palestras, seminários e outros eventos de troca de experiências

Por: Miguel Kitari

A Faculdade de Economia tem agora novos cursos, nomeadamente, mestrado em Política Económica e Desenvolvimento, Economia de Empresas, Administração e Finanças, Gestão Hospitalar, Empreendedorismo e Inovação, Economia Monetária, e Mercados de Capitais. Têm a ver com os novos desafios do país?

A Faculdade de Economia tem os cursos tradicionais de licenciatura. No entanto, agora temos dois novos cursos de especialização. Como deve saber, ministramos, em termos de licenciatura, o curso de economia, contabilidade e auditoria, contabilidade e administração, gestão de empresa, e gestão financeira. Além das licenciaturas, nos últimos anos surgiram os mestrados.

Em termos de mestrados, neste momento temos os cursos em economia, na especialidade de Política Económica e Desenvolvimento. Temos ainda o mestrado em gestão, com duas saídas, designadamente, Administração e Finanças, assim como gestão hospitalar. Temos ainda o mestrado em Economia Monetária e Financeira, mestrado em Empreendedorismo e Inovação, e em Mercado de Capitais. Em termos de Douramento, temos Gestão e Contas.

A especialização é uma nova aposta…

Houve necessidade de apostarmos na especialização, no sentido de preparamos melhor os nossos formandos para o mercado de trabalho. Por exemplo, um licenciado ligado aos cursos de Economia, Gestão ou Finanças, pode candidatar-se não só aos cursos de mestrado, mas também para uma especialização. Como sabe, a licenciatura são quatro anos de informação geral, depois precisa- se de uma especialidade, que dura pouco mais de seis meses, os mestrados dois anos, e os doutoramentos quatro anos. É de especialistas que o mercado de trabalho precisa.

Esses cursos foram pensados tendo em atenção ao momento económico que o país vive?

Exactamente! Temos registado um prolongar dos cursos de mestrado e de doutoramento, pois as pessoas têm estado muito ocupadas. Em face disso, procuramos encontrar um meio-termo que é a especialização depois da licenciatura. Como disse, são apenas seis meses. Em todo caso, o técnico sai devidamente preparado para exercer aquilo que apreendeu. Aliás, o país precisa de quadros que saibam fazer. É por isso que temos que especializar.

A Faculdade tem um corpo docente capaz de dar resposta aos novos desafios?

Temos sim um corpo docente à altura. Para o caso concreto dos cursos de especialização, cursos que têm uma grande procura no mercado, estabelecemos parcerias com outras instituições que fornecem quadros (docentes).

Tratam-se de instituições nacionais ou internacionais?

São instituições nacionais e internacionais. São os casos da KPMG, uma instituição renomada, PWT, Deloitte, e uma Universidade de Lisboa (Instituto Superior de Economia e Gestão), com a qual temos uma parceria neste sentido. Temos ainda os nossos docentes nacionais que também dão um grande contributo no processo de formação académica, mormente na vertente da especialização.

Hoje o debate está voltado para os grandes temas económicos. Como é que Faculdade de Economia da maior Universidade do país tem participado nestes debates que buscam soluções para o desenvolvimento económico do país?

Podemos considerar-nos um laboratório de quadros. Formamos as pessoas, realizamos actividades científicas, produzimos as ideias e fornecemos a sociedade. Nos últimos tempos, temos realizado vários eventos, como palestras, seminário e não só, onde os nossos docentes apresentam resultados das suas investigações, temas importantes.

Buscamos pessoas da economia real para interagirem com os alunos, enfim, uma série de realizações cujo fim é contribuir para o desenvolvimento económico do país. Importa referir que tem sido norma realizamos jornadas técnico- científicas, onde discutimos questões actuais. Além da formação de quadros, este é o nosso contributo.

O país tem um défice muito grande em contabilistas. O que se passa?

É verdade que temos um défice. No entanto, as Universidades públicas existentes no país, num total de oito, quase todas têm curso de economia. E a exemplo da nossa Faculdade, elas também têm estado a formar quadros nesta área. Não obstante este défice, há muita procura por este curso.

Existem também outros quadros que se formaram no exterior do país. Repito, apesar de todo este esforço ainda não “Em termos de mestrados, neste momento temos os cursos em economia, na especialidade de Política Económica e Desenvolvimento.

Temos ainda o mestrado em gestão, com duas saídas, designadamente, Administração e Finanças, assim como gestão hospitalar” chega. Em economia de mercado, todo o cidadão que tem possibilidade cria uma empresa e vai solicitando quadros.

E como sabe, neste processo, os contabilistas são “indispensáveis”. Mas vamos formando para dar resposta às necessidades. Todavia, é importante que não se forme apenas contabilistas superiores, mas também médios, aliás, já tivemos muitos técnicos básicos. É um processo. Temos que aperfeiçoar com o tempo.

Perfil:

Um académico e gestor Redento Pedro Carlos Maia, doutorado em Economia pela Universidade de Economia Nacional e Mundial de Sófia (Bulgária), recebeu um louvor pela comissão de Júri integrada por 21 professores, conforme consta da acta de defesa da tese de Doutoramento, sob o título Privatização na Indústria de Angola, Vantagens e Riscos, Março (1996).

• É Mestre em Economia e Gestão/Perfil Industrial pela Academia de Ciências e Gestão Social em Sófia e licenciado em Economia Industrial pela mesma escola. • É professor titular da Faculdade de Economia da UAN, regente das disciplinas de Introdução à Economia e de Mercados e Instituições Financeiras.

• Leccionou Macroeconomia no Projecto de Reforço de Capacidade de Gestão Económica, organizado pelo Banco Mundial, Ministério do Planeamento e UAN (Faculdade de Economia).

• É professor convidado da Universidade Lusíada de Angola, onde é docente regente da disciplina de Economia Industrial e professor convidado na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, na cadeira de Economia Política.

• É membro da Comissão Instaladora da Academia de Estudos Avançados de Angola.

• Foi vice-Decano para os Assuntos Científicos e Pós-graduação da Faculdade de Economia da UAN, presidente do Conselho Científico e membro do Conselho de Direcção e do Senado da Universidade Agostinho Neto.

• Integrou Júris de defesas de Mestrado e de trabalhos de fim de cursos. • Entre 1999/2002 foi professor visitante do Centro Universitário de Cabinda