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BCI desmente demissão de mais de 1200 trabalhadores

Enquanto os mil e 124 funcionários do BCI têm os empregos salvaguardados, os da área de segurança interna afectos ao BCI Imobiliário, receiam pelo seu despedimento, contudo, a administração garante que não ocorrerão despedimentos porque o banco encontra-se em franco crescimento

Por: Paulo Sérgio

O presidente do Conselho de Administração do Banco de Comércio e Indústria (BCI), Filomeno Ceita, anunciou ontem, em exclusivo a OPAÍS, que o “Plano de Negócios” da instituição para este ano não vai colocar em risco os postos de trabalho.

Em resposta às denúncias apresentadas a este jornal por alguns dos seus colaboradores, segundo as quais está em execução um programa de reestruturação que prevê a demissão de mais de 1200 seguranças internos, o gestor considerou- as como parte de uma estratégia que visa tornar quase inviável o funcionamento do Conselho de Administração do Banco.

Segundo o PCA do BCI, tanto os mil e 124 trabalhadores bancários como os da segurança interna afectos à BCI Imobiliária, participada a 100% pela instituição que dirige, não correm riscos de perder os empregos.

“Não existem 1.200 guardas internos no banco. A Imobiliária tem neste momento apenas 207 trabalhadores. Nós incitamos um processo que não chamamos de demissão porque o termo mais apropriado é dispensa de 126 funcionários, entre os quais 92 guardas que são internos”, frisou.

Filomeno Ceita esclareceu que tomaram esta decisão por existirem pessoas a exercerem funções repetidas, isto é, a responsabilidade dos seguranças internos é assumida por uma empresa de segurança contratada para o efeito.

Esclareceu ainda que, no âmbito da estratégia interna para redução dos custos de produção, a sua equipa encontrou a presente medida. Reiterou que funcionário algum será dispensado.

“Eles assumirão as funções de guarda. Todos os que estão disponíveis deixarão de ser guardas internos para assumirem as funções actualmente executadas pelos funcionários da empresa de segurança contratada”, explicou. Acrescentou que “provavelmente alguns, por questões de idade ou de doença, tendo em conta que há pessoas que não podem perder noites, podem ser dispensados desta actividade, mas não da empresa”.

Filomeno Ceita revelou que durante a reunião com os trabalhadores, realizada Quarta-feira, recebeu deles a intenção de exercerem as suas verdadeiras funções de guardas das agências. Reconheceu, por outro lado, que tal quantidade de efectivos será insuficiente para cobrir os 158 pontos de negócio espalhados por todo o país,e o asseguramento de grande destas continuará sob alçada de empresas terceirizadas.

Condições de trabalho

Quanto às condições de trabalho, explicou que o BCI tem as possíveis e que todos os funcionários têm acesso a crédito automóvel, à habitação e ao fundo social. E ressaltou que o grande problema é que, de forma geral, os trabalhadores de base estão “extremamente endividados”.

“Estão endividados até ao máximo permitido por lei, que é 50 por cento dos salários. E para eles não é possível viver só com metade dos ordenados”, esclareceu.

A título de exemplo, referiu que só os 92 guardas internos, possuem uma dívida com o banco de cerca de 86 milhões de Kwanzas. Nestes moldes, encontram-se numa condição em que já não podem contrair crédito para não ultrapassarem os 50 por cento, e há casos em que os gestores foram forçados a assim proceder por motivos de saúde.

O seguro de saúde é outro benefício a que todos têm direito. O PCA afirmou que os funcionários do BCI Imobiliária, empresa criada em 2000 por orientação do Banco Nacional de Angola, dispõem de regalias semelhantes aos do BCI.

Desempenho do banco em análise

Filomeno Ceita disse que desde que assumiu a direcção deste banco, em 2011, tem-se registado melhorias no serviço prestado aos clientes, existindo uma disparidade muito acentuada entre aquilo que era e o que é hoje.

Por seu turno, o administrador para a área Financeira e Internacional do BCI, Jorge Peres, afirmou que quando assumiram a gestão do banco o mesmo detinha um passivo muito alto.

“Procedeu-se ao saneamento das contas. Havia operações, algumas sem suporte documental, e esta administração assumiu-as. Tanto é que o banco foi tendo prejuízo nos primeiros anos da nossa administração, e somente em 2015 conseguimos reverter o quadro.

Estamos neste momento numa situação de resultado positivo”, revelou.Segundo Jorge Peres, registaram prejuízos de 2012 a 2014, uma situação que conseguiram melhorar fundamentalmente através de práticas de contenção de custos e no aumento das margens de intermediação.

Em função dos resultados positivos alcançados nos últimos anos, têm liquidado os prejuízos acumulados e só quando concluírem este processo far-se-á a comparticipação dos trabalhadores nos lucros.

Já Maria Bernardo, administradora para a área Comercial e de Marketing do mesmo banco, sublinhou que além das supracitadas transformações (entre as quais o aumento de 84, em 2011, para 158 pontos de negócios), resgataram os clientes que tinham perdido a confiança no BCI, tendo-se tornado “o principal banco na cadeia dos grandes clientes”.

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