Cidadãos preocupados com a escassez de vagas na UKB

Estão abertas as inscrições para admissão de estudantes na Universidade Katyavala Bwila (UKB)embora o volume de vagas disponíveis para o presente ano – 1596 – esteja muito aquém do pretendido e deixa os candidatos bastante apreensivos. A reportagem de OPAíS constatou um grau aceitável de adesão de jovens “sedentos” por uma vaga nas seis unidades orgânicas desta universidade

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

Milhares de candidatos afluem aos institutos superiores na esperança de preencher uma das 1.596 de vagas disponíveis na UKB, a única universidade pública em Benguela. Os candidatos estão expectantes e dizem-se aptos para as provas de admissão previstas para 22 de Fevereiro. Entre eles, há quem já vem tentando ingressar há anos, mas os esforços, em cada ano académico que passa, redundam sempre em fracasso.

Ainda assim, mantêm a esperança de concretizar este sonho já este ano. Maria Madalena Matetele, há dois anos finalista do ensino médio, conta que está igualmente há dois anos se empenhando por uma vaga numa das seis unidades orgânicas da UKB. A jovem estudante inscreveuse no curso de Pedagogia no ISCED, apela à lisura e transparência no processo.

Espera, por outro lado, que práticas menos abonatórias sejam banidas para que a justiça prevaleça e se obedeçam os critérios de selecção dos candidatos. Por seu turno, a jovem Joana confessou a OPAÍS que assim que concluiu o ensino médio, há três anos, em Luanda, tentou várias vezes ingressar na Universidade Agostinho Neto, contudo, sem sucesso.

Tanto que face a essas dificuldades, decidiu residir em Benguela na perspectiva de inserir-se no subsistema de ensino superior. “Vou-me inscrever na especialidade de História. A minha expectativa é ingressar na universidade, uma vez que já terminei o ensino médio em 2015, e estou sempre a batalhar.

Espero este ano entrar”, augura a estudante. Entretanto, o vice-decano para a área académica do ISCED-Benguela, Augusto Ezequiel Afonso, revelou que a instituição dispõe, para o presente ano académico, de um universo de 504 vagas, nos regimes laboral e pós-laboral. Dado o grande afluxo de jovensrecém-finalistas do ensino médio e sedentos por uma vaga, o responsável desaconselha os estudantes a abraçarem práticas ilícitas em busca de uma garantia de uma vaga, pois garante lisura e transparência no processo de inscrição em curso.

O reitor da Universidade Katyavala Bwila, Albano Ferreira, revelou que na IIª Região Académica, que compreende as províncias de Benguela e do Kwanza-Sul, mil e 596 vagas estão disponíveis para o presente ano académico.

O gestor académico salientou que a direcção sob sua jurisdição avalia as condições para o arranque, no presente ano, de três dos seis cursos de mestrado aprovados no ano transacto.

Assegou que a universidade já dispõe dos docentes nacionais e estrangeiros necessários para administrar os cursos de pós-graduação. Albano Ferreira revelou que a UKB tem registada uma média de acesso anual na ordem dos mil e 500. “Há alturas em que temos mais e outra em que temos menos, dependendo da taxa de reprovação dos alunos”, explicou.

Porém, a situação tem-se agravado desde 2014, causada sobretudo pela degradação das condições infra-estruturais. “Mas cumulativamente, a UKB, desde a sua criação em 2009, concebeu já 13.669 novos alunos”, revelou, durante a visita que Quinta-feira, 12, Rui Falcão, governador de Benguela, efectuou ao local.

Em termos de panorama geral – uma relação entre a procura e a oferta -, refere o reitor, regista uma média anual de mil e 500 vagas para um universo de 14 mil e750 inscrições. “Temos capacidade de admitir 90% dos inscritos”, havendo, contudo, uma taxa de não admissão bastante preocupante. “Temos um rácio de aproximadamente 13 mil alunos que ficam sem acesso ao ensino superior”, lamenta o coordenador da II Região Académica.