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Crise força mais de 200mil chineses a abandonar Angola

A comunidade chinesa em Angola acredita que a visita de hoje, ao país, do seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, pode contribuir para a atracção de novos investimentos destinados ao alavancamento da economia nacional

Entre 2015 e 2017, cerca de 250 mil cidadãos chineses abandonaram Angola, reduzindo aquela que era a maior comunidade estrangeira no país, concretamente, de 300 mil para 50 mil indivíduos, revelou ontem, a OPAÍS, Xu Ning, presidente da Associação Industrial e Comercial Angola/China.

Os imigrantes dedicavam-se a diversos tipos de actividades, sobretudo nos ramos de construção civil e comércio grossista e retalhista. Contudo em consequência da situação de crise económica e financeira que o país enfrenta desde meados de 2014, agravada por uma acentuada escassez de divisas, muitos viram-se forçados a regressar ao seu país.

De acordo com Xu Ning, com essa redução na população chinesa, muitos angolanos perderam os seus empregos, o que consequentemente, agravou as dificuldades de sustento de milhares de famílias. Conforme revelou, desde a entrada dos chineses em Angola, com maior incidência em 2002, a comunidade já criou perto de 500mil empregos directos para cidadãos nacionais, com realce para os sectores da agricultura, pescas, construção civil, comércio, indústria e outros importantes para o desenvolvimento do país. Segundo Xu Ning, se os 250 mil cidadãos chineses, grande parte deles responsáveis por empresas, optassem pela permanência em Angola, o número de postos de trabalho tendenderiam a aumentar. agarantiu que há uma enorme vontade da comunidade chinesa formar, promover e apostar na mão-de-obra angolana, sobretudo a jovem, que vive dificuldades para ter acesso ao primeiro emprego.

No entanto, com a visita a Angola do ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, marcada para hoje, Xu Ning acredita que a situação pode melhorar, garantindo assim o regresso daqueles que um dia partiram. Para o líder associativo, Angola é um forte parceiro da China em África.

Nesta conformidade, há um forte interesse do Governo chinês em manter a aposta na manutenção das empresas e dos cidadãos do gigante asiático em Angola, fortalecendo os laços de amizade e cooperação, que assentam na solidariedade e interesse mútuos. “Estamos muito satisfeitos com essa visita, sobretudo, esperançados, porque acreditamos que as coisas vão mudar. Queremos que os nossos irmãos chineses regressem para continuarem a contribuir para o desenvolvimento de Angola que precisa da China”, frisou.

só os melhores De acordo ainda com o presidente da Associação Industrial e Comercial Angola/China, doravante, só passarão a escalar ao país cidadãos chineses com reconhecida capacidade técnica e empresarial, para que contribuam, de forma directa e positiva, no seu desenvolvimento.

Salientou que actualmente é visível, a todos os níveis, a forte presença que os cidadãos do seu país têm em Angola. Por este motivo, entende o líder associativo que já não se justifica a vinda para cá de meros técnicos para assumirem pequenos projectos que podem ser implementados por angolanos.

Assim, visando contrariar o cenário actual, estão em curso projectos de formação de técnicos locais para assumirem alguns ramos de actividades básicas e médias nas empresas de chineses que hoje são assegurados pelos asiáticos. “A presença de chineses não deve ser vista apenas para ganhar dinheiro. Queremos estar na vida dos angolanos, ajudando lá onde há necessidades. Por isso, pretendemos atrair à Angola apenas os melhores”, assegurou.

Justificou que um chinês, para chegar à Angola, acarreta custos elevados. “São custos que têm a ver com bilhete de passagem, hospedagem, residência, alimentação e vestuário, ao passo que um trabalhador angolano não precisa disso. Só necessita do seu salário e boas condições de trabalho. É por isso que estamos a apostar na formação dos nossos irmãos angolanos”.

Raptos e assassinatos com cerco apertado

Por seu lado, Pan Jingjian, secretário de segurança da Associação de Apoio aos Chineses em Angola, revelou que o número de chineses mortos e raptados no país tem vindo a preocupar a sua organização.

A situação, atestou, torna-se mais chocante ainda quando parte das pessoas que praticam tais crimes são igualmente cidadãos chineses, que, pelo lucro fácil, atentam contra a vida dos seus compatriotas que lutam de forma digna para uma vida melhor.

Segundo com Pan Jingjian, os chineses envolvidos no assassinato e rapto dos seus próprios compatriotas fazem-no de forma isolada e sem a adesão da grande maioria, que é a favor da vida e do bem-estar dos povos. “Malandro há em todo o mundo, e, infelizmente, há também chineses malandros. todos os anos estamos a registar esses tipos de crimes. É muito triste”.

Todavia, visando reduzir os casos de raptos e assassinatos de chineses, Pan Jingjian revelou que a sua associação implementou, em colaboração com a Polícia nacional, um sistema de denúncia, controlo e segurança dos chineses que funciona ao longo da via expresso (por ser um dos pontos de Luanda com maior circulação de chinêses) e que permite detectar, em curto espaço de tempo, quaisquer tipos de crimes envolvendo chineses.

“Há o número, 949 947 162, para o qual qualquer chinês pode ligar quando sentir-se inseguro ou ameaçado. Após a ligação, a Polícia é accionada, e em escassos minutos o criminoso é apanhado”, garantiu. Esclareceu que, tanto a Polícia como a sua associação, estão muito preocupadas com os crimes que assolam a comunidade chinesa. Daí a criação deste sistema de denúncia e segurança que até ao momento tem contribuindo para a redução de crimes.

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