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Médicos criam sindicato para exigir melhoria das condições de trabalho

Os baixos salários e a ausência de planos de saúde para os profissionais constam das principais preocupações que motivaram a criação do primeiro sindicato nacional dos médicos.

POR: Domingos Bento

Para Adriano Manuel, coordenador da comissão dinamizadora do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, grande parte das dificuldades e constrangimentos que a classe enfrenta só serão resolvidos por via de uma plataforma que congregue todos os profissionais de forma justa e consensual. Foi, conforme explicou, com esse espirito que se criou este primeiro sindicato que deverá, na próxima semana, realizar o seu primeiro congresso, que vai permitir eleger os órgãos directivos, ouvir a classe, propor e receber sugestões para as várias inquietações que os médicos angolanos enfrentam.

Segundo Adriano Manuel, a criação deste sindicato vem na sequência dos vários pedidos feitos pela classe que se sente indefesa e desprotegida por não ter um organismo que a represente e leve as suas inquietações aos órgãos de soberania do país. Tal como apontou, são vários os problemas que os médicos em Angola enfrentam, desde a falta de condições de trabalho, falta de materiais gastáveis nas instituições de saúde, insuficiência de profissionais, carência de meios técnicos e laboratoriais. No segmento pessoal, Adriano Manuel fez saber que os médicos debatem-se com baixos salários que não satisfazem as reais necessidades dos profissionais e, muitas vezes, trabalham em zonas recônditas e de difícil acesso. Também, a ausência de um plano de saúde para a classe representa outro “quebra- cabeças” já que, os médicos, na maior parte das vezes, devido à ausência de meios técnicos e de trabalho, correm sérios riscos de contraírem patologias e ferimentos no exercício das suas funções.

Só o ano passado, explicou, mais de seis profissionais contraíram tuberculose enquanto trabalhavam. E, normalmente, por não terem um plano de saúde que os possa proteger, esses médicos acabam entregues à sua sorte sem nenhuma intervenção do Estado, que paga apenas entre 15 a 20 mil kwanzas como subsídio de riscos. “Este valor nem chega sequer para comprar medicamentos caso venhamos a contrair uma doença no exercício das nossas funções. Atravessamos uma situação terrível. Um médico pode atender, diariamente, mais de 200 pessoas. E cada uma com a sua patologia. E muitas vezes sem as condições exigidas para a sua protecção, o que possibilita o contágio de várias enfermidades. Quando isso acontece ninguém olha para ele. É mais um qualquer que é atirado à sua sorte”, lamentou.

Sem plano de formação

A ausência de um plano contínuo de formação para os médicos nacionais é também outro dos males que a classe enfrenta. Adriano Manuel atestou que esta situação tem feito com que muitos acabem por se perder no tempo. “Não é possível nem é recomendável que um médico não faça formação contínua. Nós lidamos com vidas. E hoje a medicina é dinâmica. Há novas coisas a serem criadas diariamente que o médico deve seguir sob pena de ficar perdido. E nós aqui, infelizmente, somos esquecidos”. De acordo ainda com Adriano Manuel, diante da ausência destas condições, o médico não tem como atender e dar respostas satisfatórias às necessidades dos pacientes. E, por ser o profissional que lida directamente com os doentes, acaba por ser o “mau da fita”, acusado de negligente, desumano, e outros adjectivos nada simpáticos.

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