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Oásis Teatro completa 30 anos existência

Considerado um dos grupos mais representativos e persistentes na história do teatro angolano, o Oásis exibiu, no seu percurso, várias peças apelando ao resgate dos valores culturais, morais e cívicos. Foi fundado a 13 de Março de 1988 em Luanda e já está na 5ª Geração de actores. Em véspera da comemoração do seu 30º aniversário, Africano Kangombe, fundador do colectivo, realça o seu percurso, a experiência, as conquistas e projectos futuros

Por: Augusto Nunes

O Grupo Oásis completará em Março 30 anos de existência. Que balanço faz deste percurso?

O balanço que nós podemos fazer dos 30 anos é, a todos os títulos, positivo. Não é sempre que se consegue criar um grupo que pode durar 30 anos. Se tivermos em conta os grupos de teatro que foram criados na mesma época que o Oásis, nenhum deles existe, excepto o Horizonte Njinga Mbande. Portanto, 30 ano é um percurso bastante longo que teve momentos bons e maus, teve pontos altos e baixos.

Mas um dos primeiros pontos altos do Oásis foi exactamente o da montagem da peça “A Morte do velho Kipakassa”, com a qual o Oásis conquistou o II lugar no I Festival Nacional de Teatro, no âmbito do Festival Nacional de Cultura e Artes (Fenacult 89).

Daí em diante seguiram-se vários prémios. Nós críamos o Oásis num contexto bastante difícil. É por isso que o grupo chama-se Oásis, porque na altura não havia bom teatro e não havia muitos grupos de teatro. E nós sentíamos que estávamos num deserto teatral, foi por isso, que eu dei o nome ao grupo de Oásis.

Este grupo surgiu do Horizonte 2000, que na altura era um grupo proeminente de Angola, mas que depois entrou em declínio. Eu era encenador deste grupo e achei que não devia perder aquela nata humana que tínhamos, e então acabei por reagrupar os actores do Horizonte 2000 e assim criamos o grupo Oásis.

Hoje, este grupo é de todos. Já estamos na 5ª geração de actores, então é motivo de muita satisfação, sobretudo, porque hoje o Oásis é um grupo profissional. É o único profissional em Angola. Sermos o único profissional no país dá-nos muito orgulho, sobretudo porque nós participamos também neste percurso.

Quantos elementos tinha na altura e quantos tem actualmente?

Na altura em que criámos, eram cerca de 19 actores, mas em muito pouco tempo o grupo passou a ter 30 pessoas. É o único grupo de teatro que viajou para o Fenacult 89 com 30 actores. Sempre fomos um grupo de muita gente e hoje ainda tem. É um grupo bastante dinâmico e multifacético. Somos cerca de 25 pessoas, pertencemos à Força Aérea Nacional e temos como base o teatro de intervenção e de educação patriótica. Nós fazemos parte da Direcção de Educação Patriótica do Comando da Força Aérea Nacional, para lá daquilo que é a nossa matriz, que é trabalhar sobre a tradição angolana. O Oásis é um grupo que tem como lema e proposta “A Tradição” e como slogan, “O Futuro não deve ser entregue ao acaso”, então a cada minuto cada membro do Oásis trabalha para um futuro melhor.

O que retrata o Oásis nas suas peças?

Retratamos várias coisas… A nossa missão principal está virada para a educação patriótica, o incentivo às boas práticas dos militares, a chamada de atenção aos militares para os perigos do álcool, da prostituição, das doenças endémicas, como a Sida, a malária, o amor à pátria, também o respeito pelo próximo, a solidariedade humana, enfim. O Oásis é um instrumento privilegiado da Força Aérea Nacional para a Educação Patriótica, primeiro. S e g u ndo, o Oásis trata da pre s er vação da tradição angolana, monta peças baseadas nos nossos contos, na nossa cultura para perpecuar a Cultura Nacional.

Quais foram as peças que tornaram o Oásis um dos grupos mais representativos do país?

As peças “Quem ficará no lugar”, uma adaptação do livro do escritor Manuel Pedro Pacavira, sobre a sucessão de Ngola Kiluanje Kia Samba, pela sua filha Jinga Mbande; “Os dois filhos de Don Petelu”, adaptação do livro de Emílio Guerra, “As três histórias populares”, “Kawalende”, adaptada do livro de Wanhanga Xitu “Manana”, “Amor do velho Kipakassa”, que conquistou o II lugar no Prémio Nacional de Cultura e Artes, no âmbito do Festival Nacional de Cultura e Artes (FENACULT 89). Esta mesma peça veio a ser considerada para a atribuição do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2013 ao Oásis, temos “A Mixórdia de Xonguole”, uma peça que retrata o diálogo dos vivos com o mundo do além, que venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na cidade do Lobito, na categoria de Teatro, temos a peça “Galinha do Mato – SOS Mundo”, uma abordagem sobre as contradições que o mundo moderno vive, temos “O Batuque”, o mais alto em termos modernos da peça, uma adaptação do livro de Cicakata Mbalundu “O feitiço da rama da abóbora”, com a qual participou no Festival de Verão em Moçambique.

A peça ganhou muitos elogios da crítica. São estas as criações que o Oásis tem estado a trilhar os que são agora seus caminhos de 30 anos. Como está o Oásis em termos de pesquisas para a criação das suas peças? O Oásis está muito bem. Estamos agora a fazer pesquisas e a escrever duas peças e uma delas, tem a ver com Ibwangumgu, uma figura mítica da cultura do Centro de Angola, que gera muitos filhos de uma só vez. Estamos também a trabalhar e a pesquisar um conto kwanyama “Mambalitchita”, mulher figura mítica da região do Cunene, que se gera a si mesma. Estamos também a seguir um pouco a linha do batuque, conto de Kalitangue, um homem que nasce já adulto armado com as suas flechas e zagaias. Estamos a tentar fazer o máximo que podemos com as nossas raízes, são desse teor os trabalhos pelos quais estamos a enveredar.

Também temos estado a fazer um exercício na redacção de um ensaio sobre o Oásis 30 anos. A ideia era publicar o nosso trabalho agora em Março, mas tudo indica que não será possível. Está também na forja o livro “Oásis 30 anos, Memória de um Percurso”.

Como está o Oásis em termos de exibição?

Ao nível de Luanda temos estado a fazer espectáculos na Liga Africana, é a única sala disponível, e ao nível do interior temos estado a viajar para Benguela, Huambo e Uíge. Há também na forja a ideia de irmos fazer também o teatro em todo o país. Como deve saber, isto tem custos. Nós somos um grupo da Força Aérea Nacional e dependemos das disponibilidades financeiras do Comando. De qualquer modo está tudo programado para este ano podermos visitar outras províncias.

Como vai o intercâmbio entre o Oásis e outros colectivos teatrais no país?

Ao nosso nível vai tudo bem e temos amizades com vários grupos tais como o Horizonte Njinga Mbande, nosso aliado tradicional. Temos correspondência com o grupo Kipapum, entre outros. O Oásis é um grupo muito aberto que lida com todos os outros sempre que pode. Mesmo agora, nas festividades do Oásis 30 anos, está previsto um encontro com algumas formações teatrais.

Convites para festivais este ano?

Ainda não recebemos nenhum, chegamos recentemente do Festival de Verão em Maputo, Moçambique, provavelmente teremos agora. Estamos à espera do convite do Festival de Teatro Oprimido, do Brasil, onde também estivemos em 2017. Estamos à espera do convite do Festival de Teatro em Londres e o próprio Oásis tem na forja a realização de um Festival de Teatro denominado “Asas da Liberdade”. Como deve saber “Asas da Liberdade” é um lema ligado à Força Aérea. A chefia na área da cultura do Comando da Força Aérea Nacional está neste momento a apreciar o projecto da “Asa da Liberdade”, que será um festival com periodicidade anual do Oásis.

De que forma o Oásis espera festejar os seus 30 anos de existência?

Vamos celebrar o mais condignamente que pudermos dentro dos recursos disponíveis os 30 anos do Oásis. A comissão que está a trabalhar nisso, em princípio viu todos os aspectos relevantes de uma celebração desta dimensão: as homenagens àqueles que contribuíram para que o Oásis se mantivesse de pé até hoje, as homenagens àqueles que, de uma maneira geral contribuem para o progresso do teatral nacional, enfim, vamos dignificar os 30 anos do Oásis.

Uma palavra para o público apreciador das artes cénicas e os militares que têm estado a seguir as vossas mensagens e exibições.

Que continuem a acompanhar o Oásis e a dar o seu apoio lá onde for necessário, e o Oásis vai corresponder sempre às expectativas, na medida em que nós trabalhamos sempre com muita seriedade, todos os integrantes do Oásis empenham- se ao fundo. Então, o público que aguarde. Bons momentos virão. No próximo Domingo, 21 de Janeiro, a Força Aérea Nacional comemora 42 anos de existência.

De que forma irá o Oásis juntar-se à festa?

Vamos brindar com várias peças, mas nós em termos de temática dependemos da Direcção de Educação Patriótica. Portanto, a Direcção faz sair uma lista de assuntos que acha que devem ser tratados e o Oásis pega, escreve as peças e monta, mas sem perder a temática da educação patriótica.

 

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