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Literatura angolana “fala” mandarim a partir de Março

 Quatro obras da colecção dos 11 clássicos da Literatura Angolana serão traduzidos para mandarim, a partir de Março, numa iniciativa do investigador de cultura africana, do Centro de Estudos dos Países de Língua Portuguesa, Shang Jinge

Por:  Jorge Fernades

Trata-se de “Uanga” de Óscar Ribas, “A dívida da Peixeira”, “O pano da velha Mabunda” e “Undengue” de Jacinto de Lemos, com uma tiragem de dois mil exemplares cada livro. O objectivo do acordo com Shang Jing é o de dar a conhecer a cultura da África, e angolana em particular, aos leitores chineses, por forma a reforçar os laços culturais. As restantes obras do mesmo projecto Estórias do Musseque (Jofre Rocha), Nga Muturi (Alfredo Troni), Luuanda (José Luandino Vieira), A Montanhas das Águas Lilás (Pepetela), Quem me dera ser onda (Manuel Rui) e A morte do velho Kipacaça (Boaventura Cardoso) constam do mesmo projecto, estando- se nesta altura a aguardar pelas devidas autorizações.

Shang Jinge fez saber a OPAÍS que, paralelamente a esse projecto, ainda no decorrer do mês de Março publicará uma antologia de contos africanos em Mandarim e um livro de ficção de sua autoria intitulado “Andando em Cima do Papel Branco de Cor Azul”. “O motivo que me levou a criar este romance foi uma doença – malá

ria, de que fui acometido. Enquanto estive doente, num sonho vi algumas cenas maravilhosas que nunca tinha visto. Estas cenas tornaram- se fundamentações deste romance”, adiantou.

A fonte adiantou ainda que a obra é constituída por duzentas mil palavras, e baseia-se em fábulas africanas. No romance, os nomes dos personagens são chineses que interpretam a cultura, a história, as fábulas e os contos africanos.

Outros projectos

Shang Jinge referiu que, por via da União dos Chineses Voluntários de Angola, de que é secretário- geral, a referida associação está a trabalhar na criação de uma entidade com vista a promover actividades de âmbito cultural entre os dois povos que vai denominar “Associação de Intercâmbio da Cultura da China e Angola”. A necessidade de criação dessa associação, segundo explicou, pretende- se com a fraca relação cultural que China e Angola nesse momento têm, estando apenas mais concentrada nas relações políticas e económicas.

“A cultura angolana é muito rica e bastante diversa. É importante que os chineses conheçam a riqueza cultural de Angola, através das várias manifestações culturais e artísticas, e vice-versa. De modo que, com essa entidade, de certeza teremos os laços mais reforçados”.

Por outro lado, salientou que actualmente as editoras da China não têm conhecimento da literatura africana em língua portuguesa e, por isso, não têm conhecimentos necessários de literatura africana, daí que não haja editoras que queiram publicar obras literárias na China.

E dai defender que, por essa via, transmitem-se conhecimentos quer de literatura, história ou costumes da vida africana, o que vem facilitar a atracção de mais estudiosos e especialistas chineses a divulgar a literatura africana em língua portuguesa na China.

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