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Hugh Masekela, “pai do jazz sul-africano” morre aos 78anos

Morreu esta Terça-feira, aos 78 anos, vítima de doença, o músico e compositor de jazz sul-africano e activista anti-apartheid Hugh Masekela, informou a família do artista

A notícia desencadeou uma série de homenagens ao músico destacando a sua longa carreira e seu compromisso na luta contra o apartheid.

A sua canção Bring him back home (Nelson Mandela), escrita quando Masekela vivia no exílio, pediu a libertação de Mandela e foi banida pelo regime do apartheid. O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, afirma agora que a Nação tem de homenagear um homem que “manteve viva a chama da liberdade”. “É uma perda incomensurável para a indústria musical e para o país em geral.

A sua contribuição para a luta pela liberdade nunca será esquecida”, acrescentou o Presidente sul-africano, em comunicado. O ministro da Cultura, Nathi Mthethwa, escreveu por sua vez no Twitter: “Caiu um embondeiro, a nação perdeu um ser único.” Masekela deixou a África do Sul aos 21 anos e viveu três décadas no exílio, incluindo Reino Unido e Estados Unidos. Em 1968, com o seu single Grazin’ in the grass, chegou ao primeiro lugar do top nos Estados Unidos.

Nos anos 1960, período em que esteve casado com a cantora e activista Miriam Makeba (1932-2008), Masekela tocou com Janis Joplin, Otis Redding, Jimi Hendrix e os Byrds no Festival de Monterey, actuação que ficou documentada em Monterey Pop, de D.A, Pennebaker.

Mais tarde, já na década de 80, andou em digressão com Paul Simon, quando este promovia Graceland, o seu disco “africano”; voltariam a pisar os palcos juntos em 2012, festejando os 25 anos desse álbum. Com o fim do regime de segregação racial, e após três décadas de exílio, pôde voltar ao seu país, onde foi celebrado como um herói.

Em 2010, por exemplo, actuou na cerimónia de abertura do Campeonato do Mundo de Futebol da África do Sul, em Joanesburgo. Antes, entre 1980 e 1984, o seu compromisso com a música sul-africana já o levara a colaborar com diversos músicos locais a partir do Botswana, onde com a ajuda da editora Jive Records montou um estúdio móvel a poucos quilómetros da fronteira.

A Botswana International School of Music, que fundou em 1985, mantém-se viva até hoje, através do evento anual Botswana Music Camp, que tem encorajado músicos de várias gerações a prosseguirem as suas carreiras. “O seu activismo à escala global e o seu contributo nas áreas da música, do teatro e das artes em geral vive na memória de milhões”, exalta a família em comunicado.

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