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Sobas lutam por autoridade própria

A confusão na responsabilidade de actuação entre as administrações locais e os sobados estão na base das preocupações dos sobas de Luanda, que se debatem, igualmente, com a velha questão de muitos líderes tradicionais não serem oriundos da capital

Por:  Alberto Bambi

O secretário-geral dos sobas do município de Belas e um dos integrantes do colégio dos líderes tradicionais de Luanda, Miguel Neto, manifestou a O PAÍS a sua preocupação pelo facto de alguns dirigentes das administrações não estarem a respeitar e considerar a posição dos anciãos.

“Isso porque os administradores não deviam fazer nada sem dar a conhecer ao soba da área onde desenvolvem as suas actividades, até porque, quando tais operações resultam em conflitos, aí já mandam chamar as autoridades tradicionais”, desabafou o Velho Miguel, como também é tratado pela comunidade de Belas, tendo acrescentado que o mau exemplo está a ser seguido por sobas que foram indigitados por esses responsáveis da administração local.

Para dar sustentabilidade ao que acabava de afirmar, revelou, no princípio da tarde de ontem, que acabava de sair do novo mercado do distrito urbano do Ramiros, localizado próximo do posto de abastecimento de combustíveis da SONANGOL, onde instou alguns indivíduos que estavam a demarcar uma área para a suposta construção de um armazém, alegando que o referido espaço de terra lhes tinha sido cedido pela Administração distrital.

“É assim que as coisas acontecem aqui e noutras paragens de Belas, é assim mesmo e se isso resultar em confusão, nem a Polícia, nem os fiscais resolvem de imediato, é o soba Miguel que tem de apagar o fogo”, queixou-se o Decano, questionando se custava alguma coisa o administrador ou outra entidade avisá-lo antes de autorizar a exploração do espaço.

Miguel Neto deixou bem claro o respeito que tem pelas leis e autoridades locais e ironizou dizendo que não estava a cobrar poder de autorização, mas comunicação com direito a participação em situações que, segundo ele, mal geridas, podem suscitar trabalhos para o soba.

Na senda das inquietações sobre a reclamada autoridade dos líderes tradicionais, o Velho Miguel disse que os sobas de hoje não têm sequer disponibilizado um onjango para reunir o sobado e levar a cabo actividades de resolução de conflitos, aconselhamentos e recepção de visitas para qualquer fim.

 

 

 

“Este é o meu caso e de outros colegas da província, já pedimos às administrações comunais, distritais e municipais apoio para criar essas condições de trabalho, mas a resposta se resume apenas em não haver dinheiro, isso se você não ouvir que o país está em crise”, reclamou o entrevistado.

A classe dos sobas do município de Belas tem a intenção de activar uma série de programas que contemplam a auscultação dos problemas dos adolescentes e jovens na comunidade, nas escolas e igrejas, a fim de seleccionar métodos de resolução de conflitos mais adequados para as situações a serem apresentadas.

“Como os jovens de hoje só dizem que isso era há muito tempo, então, devemos procurar forma de arranjar jeito de eles não verem os sobas e as suas palavras como antigas, mas como algo que presta”, reforçou o ancião.

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