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Especialista defende intervenção da academia na defesa do património histórico de Luanda

O arquitecto e urbanista Cláudio Silva defende uma participação activa das universidades no processo de manutenção e defesa dos edifícios históricos da cidade de Luanda

Por: Domingos Bento

Cláudio Silva, que falava, ontem, por ocasião da celebração dos 442 anos da cidade de Luanda, considera que as universidades devem promover mais debates e colóquios sobre assuntos ligados ao património histórico da cidade que nos últimos anos tem sido alvo de demolições e, por conseguinte, desqualificada por força das novas construções que são erguidas.

De acordo com o especialista, nota-se, nas instituições de ensino superior, uma fraca participação na discussão de assuntos ligados à defesa dos edifícios de grande valor histórico da capital do país. Tal posicionamento leva a entender que existe um desinteresse total destes organismos em assuntos que se prendem com a vida e o percurso histórico da cidade.

É necessário que haja tais promoções por parte das unidades de ensino, visando despertar nas autoridades as valias que se ganham quando se preserva estruturas de valor histórico. “Essa fraca participação da academia faz com que haja uma débil inclusão dos técnicos nacionais nos concursos públicos para a elaboração de projectos estruturantes na cidade de Luanda”, frisou.

O também direc-tor do curso de Arquitectura do Instituto Superior Politécnico Gregório Semedo-Namibe disse ser bastante revoltante, desconfortável e negativa a forma como nos últimos tempos se verifica a crescente degradação e demolição de vários edifícios históricos de Luanda.

E, o mais grave, sublinhou, é o silêncio da academia, dos especialistas e de outras forças que, juntas, podem contrariar este rumo. “Temos inclusive casos de muitos edifícios que, devido ao seu abandono, por força de uma futura demolição, debatem-se com uma gritante falta de manutenção.

Pelo valor histórico que estes representam, é sempre possível encontrar formas e mecanismos para a sua preservação. E os académicos podem apresentar soluções práticas neste sentido”, defendeu.

Unidos em torno de um objectivo.

Para Cláudio Silva, independentemente das razões, cada vez que se destrói um edifício com mais de 50 anos de existência é mais um pedaço da história e da vida da cidade que se vai embora.

Como exemplo, apontou a praça do Kinaxixi que, para si, além da sua estrutura arquitetónica fascinante, foi um local de história que podia ser tida como uma mais-valia para as gerações actual e futura.

Todavia, de forma a evitar outras tantas demolições, o académico defende a criação e aplicação de leis que tratem especificamente das questões do património edificado, sua preservação, classificação e manutenção.

“Chamo aqui o Ministério da Cultura, a Ordem dos Arquitectos de Angola, a Ordem dos Engenheiros e a comunidade académica. Estas instituições têm autoridade, responsabilidade e capacidade técnica necessárias para ajudarem na elaboração de legislações específicas”, exortou.

Por outro lado, Cláudio Silva sugere a rentabilidade dos edifícios históricos por via do aproveitamento, gestão e manutenção dos mesmos por empresas e organizações da sociedade civil que se comprometam com a sua manutenção.

“O património arquitectónico é um dos melhores e mais lucrativos produtos de atracção turística em qualquer parte do mundo. E em Angola não pode ser diferente. Qualquer um que vier à Luanda precisa de conhecer o percurso da cidade. Não apenas a sua morfologia, mas a identidade e a história da cidade em questão”, defendeu.

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