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Franco Marcolino: ‘baixos salários propiciam jornalistas à corrupção’

O deputado da UNITA garante ter informações segundo as quais o salário baixo que os jornalistas angolanos auferem leva a que estes estejam propensos à corrupção, cujas consequências condicionam o pocesso democrático no país

Por: Rila Berta

Recentemente, durante o debate do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2018 na especialidade, diante do ministro da Comunicação Social, o deputado do Grupo Parlamentar da UNITA, Franco Marcolino Nhany, auto-designou-se “advogado da classe dos jornalistas”, para referir que há queixas de baixos salários por parte dos jornalistas, facto que, afirmou, conduz estes profissionais à corrupção.

Numa breve intervenção, argumentou que dificuldades salariais em trabalhadores como os jornalistas, que considerou serem fazedores de opinião com papel estratégico da comunicação pública, leva-os a estarem propensos à corrupção. “Podem estar vulneráveis e prestar-se mesmo à manipulação e à corrupção, se estiverem nas condições em que estão, segundo as informações que temos.

E as consequências são, inevitavelmente, pôr em causa o nosso sistema político democrático no país”, afirmou. Acrescentou que a comunicação social detém um papel insubstituível para credibilizar e descredibilizar a democracia. Na ocasião, o deputado da bancada parlamentar da UNITA interrogou o ministro sobre se a projecção orçamental para 2018 do Ministério da Comunicação Social contempla a melhoria das condições salariais e de trabalho dos jornalistas.

Disse ainda haver preocupação por parte dos trabalhadores da comunicação social no que se refere à segurança social, seus direitos e facilidades no futuro. “Eu sou, em certa medida, também jornalista de profissão. E na auscultação que fui fazendo, eles (os jornalistas) acham que pouca atenção tem sido dada à segurança social”, apontou. Acrescentou que “nós, como políticos, lidamos com os jornalistas e sabemos que estas condições míseras de vida prestam-se mesmo à corrupção”, considerou.

Aliás, as declarações de Franco Marcolino coincidem com as constantes reivindicações salariais dos jornalistas da Rádio Despertar, de que foi director. A título elucidativo, um jornalista desta estação radiofónica, sucessora da antiga Voz de Resistência do Galo Negro (VORGAN), ganha os penosos 40 mil kwanzas/ mês, contra os mais de 300 mil kwanzas que ele auferia enquanto director.

Segundo um jornalista desta rádio, ouvido por este jornal, à propósito destas declarações, considerou-as como sendo um desrespeito aos profissionais que labutam mesmo em péssimas condições e com baixo salário, mas que nunca estenderam a mão para pedir. Este jornalista, que falou sob anonimato, temendo represálias da direcção da Despertar, desafiou o deputado da UNITA a apresentar indícios de provas de corrupção, salientando que a rádio faz muito dinheiro com as publicidades, mas continua a pagar salários de miséria.

Nos últimos tempos, uma onda de contestações tem sido feita por vários cidadãos angolanos a respeito das regalias atribuídas aos deputados, numa altura em que o país atravessa um período de crise económica e financeira, com mais de 500 mil crianças de diferentes níveis do ensino geral fora do ensino escolar este ano.

A proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018 foi aprovada, Quinta-feira, 18, com 144 votos a favor, do MPLA, e nenhum contra da Oposição, nomeadamente da UNITA, CASACE, PRS e FNLA, que somaram 56 abstenções. A votação final da proposta está prevista para 15 de Fevereiro, conforme a legislação prevê, dada a realização de eleições gerais, em Agosto de 2017.

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