Falta de dinheiro condiciona testagem e prevenção contra a sida no carnaval

A organização de Serviços de SIDA (ANASO) alerta para o aumento do número de contágios por HIV/SIDA no entrudo deste ano devido à insuficiência de meios de testagem, sensibilização e prevenção

Por: Domingos Bento

A poucos dias da realização do carnaval 2018, António Coelho, secretário da Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA (ANASO), declarou a OPAIS que as jornadas de luta contra o HIV/SIDA, durante os três dias do entrudo, estarão condicionadas devido à falta de recursos financeiros. Segundo ele, a sua organização enfrenta dificuldades na aquisição e produção de meios de testagem, de divulgação e prevenção da epidemia.

Esta situação, frisou, poderá resultar no aumento de casos de contágio, tendo em conta que o Carnaval é um acto de massas onde muitos acabam por perder o controlo, entregando-se aos prazeres da carne de forma desprotegida. De acordo com o responsável, em relação aos anos anteriores, para este ano nota-se um défice elevado de meios.

Um facto que poderá condicionar todas as acções de luta contra a epidemia durante o carnaval. Sublinhou que para esta edição estarão apenas disponíveis duas clínicas móveis, seiscentos testes e 70 mil preservativos para mais de 300 mil pessoas que todos os anos acorrem à marginal de Luanda para dançar ou assistir ao Carnaval.

“Com estes meios faremos apenas acções pontuais. Nada de intensificação. É o ano mais difícil que já tivemos. Só para ter uma ideia, em 2017 colocamos à disposição das pessoas três mil testes, 12 clínicas móveis e um milhão de preservativos”, frisou. Acrescentou de seguida que “daqui podemos ver uma diferença abismal. Mas é o contexto e a nós só resta lamentar”.

Segundo António Coelho, os cartazes, as camisolas, bonés e demais meios de divulgação e sensibilização na luta contra a SIDA também não vão circular no decorrer do Carnaval, por falta de recursos financeiros.

“OnTem mesmo (Quinta-feira), estivemos reunidos e achamos conveniente fazermos o que está ao nosso alcance. Sabe que as campanhas exigem muito. E o Carnaval é um acto de massas onde os esforços devem ser redobrados. E os recursos que temos são ínfimos. Não é possível fazer mais”. Razão por que o Bloco Vermelho, um grupo carnavalesco de sensibilização contra a SIDA, não vai desfilar.

O secretário da ANASO afirmou que apesar dos esforços desenvolvidos para mobilização de recursos, não será possível desenvolver a campanha contra a doença por via do conjunto de animação que todos os anos “arrasta” centenas de foliões entre pessoas infectadas, médicos, activistas e outras pessoas comprometidas com a causa à marginal de Luanda.

“Na falta de recursos, estas pessoas vão aproveitar a grande manifestação cultural para desenvolver apenas acções pontuais de prevenção, para a promoção do sexo seguro”, concluiu