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O mercado petrolífero em 2017

O preço do Brent aumentou 20% no último ano, reflectindo o optimismo dos investidores e apesar de subsistir um excesso da produção relativamente ao consumo global. O aumento da produção industrial nos países da OCDE, associado aos cortes da OPEP e aliados, abrem perspectivas optimistas para a evolução do preço do crude

Por: Banco Atlantico

O cotação internacional do Brent, crude de referência para Angola, aumentou 20% em 2017, ao variar de 55,7 USD/barril em Janeiro, para 66,87 USD/barril em Dezembro. O WTI registou incremento de 14,41%, ao ascender de 52,81, para 60,42 USD/ barril no período acima referenciado.

O preço da commodity de fecho do ano 2017 representa um aumento de 17,7% e 12,5%, em relação ao mesmo período de 2016, quando se fixou em 56,82 e 53,72 USD/barril, no caso do Brent e do WTI, respectivamente.

O preço do petróleo tem reflectido o optimismo dos investidores no sector petrolífero tendo-se em consideração o sucesso dos acordos entre os países produtores de crude da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e aliados, com o último consenso a ser alcançado em Novembro de 2017, para a extensão dos cortes de produção do primeiro trimestre de 2018, para até finais de 2018.

O registo do preço tem seguido o sentido contrário à lei da oferta e procura, tendo-se em consideração que o último relatório da OPEP destaca que a produção mundial de crude fixou-se em 97,49 milhões barris/dia em Dezembro de 2017 e o consumo previsto para 2017 situou-se em 96,99 milhões barris/dia, mantendo- se deste modo o excedente de produção de petróleo que deveria resultar em uma redução do preço.

A International Energy Agency (IEA) destaca que a oferta global de crude em Dezembro de 2017 reduziu em 405 mil barris/dia, para 97,7 milhões barris/dia, devido a queda na produção da Venezuela, sendo que o relatório da OPEP refere que a produção do país contraiu em 82,2 mil barris/dia, no mês referido, fixando- se em 1,745 milhões barris/ dia, a maior contracção dos países membros da Organização, com a segunda maior queda de produção de 12,1 mil barris/dia a registar-se no Catar, que produziu 594 mil barris/dia em Dezembro de 2017.

Os dados apurados no último mês de 2017 reflectem a contribuição da oferta dos países não- OPEP, que aumentou em 340 mil barris/dia em comparação a Novembro, fixando-se em 58,62 milhões barris/dia, em consequência do aumento da produção de crude no Canadá, México, Noruega, Brasil e Cazaquistão.

A produção dos países membros da OPEP representou 33,3% do total ao estabelecer- se em 32,42 milhões barris/ dia, um aumento de 42,4 mil barris/ dia em relação ao mês anterior, com o maior incremento de 75,7 mil barris/dia a registar-se na Nigéria, que permitiu uma produção de 1,861 milhões barris/dia.

O relatório da OPEP de Janeiro de 2018 destaca que Angola foi o país que apresentou o segundo maior aumento da produção de crude em termos mensais, seguido pela Argélia com aumento de 30,3 mil barris/dia, situando-se em 1,037 milhões barris/dia. O Governo angolano estima um crescimento de 3,1% no sector petrolífero em 2018, após o sector ter registado contracção em 2017.

A confiança na estabilidade do sector petrolífero reflecte também a expectativa de maior crescimento da economia mundial, tendose em consideração que o Global Economic Propspects divulgado pelo Banco Mundial, em Janeiro do corrente ano, estima que em 2017 o desempenho positivo do PIB mundial tenha alcançado 3%, uma revisão em alta de 0,3 p.p. em relação ao relatório de Junho de 2017.

O ano de 2018 poderá registar 3,1% de crescimento, ante 2,9% e para 2019 apresenta uma expectativa de 3% de expansão do PIB, um aumento de 0,1 p.p. em relação ao último relatório de 2017.

O melhor desempenho da economia mundial poderá reflectir-se em uma maior procura pela commodity. Destaca-se que o consumo mundial de crude estimado para 2017 ao fixar-se em 96,99 milhões barris/dia, segundo o relatório da OPEP divulgado em Janeiro de 2018, representa um incremento de 1,39 milhões barris/ dia, quando comparado ao registo de 95,6 milhões barris/dia divulgado pela OPEP no relatório de Janeiro de 2017.

A procura mundial de Dezembro de 2017 representa principalmente a contribuição dos países da OCDE de 47,35 milhões barris/dia, que caracteriza 49% do total e dos países em desenvolvimento que representam 33%, com um consumo estimado de 31,93 milhões barris/dia em 2017.

O aumento do consumo mundial reflecte o maior consumo de combustível, que advém do maior crescimento da produção industrial e procura por automóveis.

O objectivo de estabilizar o mercado petrolífero assumido pelos países membros da OPEP e aliados tem contribuído para melhores perspectivas de preço do crude com a Energy Information Adminstration (EIA) a prever que em 2018 o preço do Brent e do WTI se situe em média em 59,74 e 55,33 USD/barril, um aumento de 10,3% e 8,9% em relação ao preço estimado para 2017.

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