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Chuva causa danos em Porto-Amboím

Várias famílias desalojadas, estabelecimentos comerciais e hospedarias inundadas, bem como diversas viaturas, bens e equipamentos destruídos, constituem alguns dos alvos da última chuva que assolou a cidade de Porto Amboim, província do Cuanza-Sul.

POR: Maria Teixeira
enviada ao Porto-Amboím

A chuvas que no dia 31 de Janeiro se abateu à cidade de Porto Amboim, quebrando um “jejum” que vinha desde o último trimestre do ano passado, provocou danos incalculáveis aos habitantes locais. Mais de cinco horas, segundo os seus moradores, foi a duração da chuva que deixou a pequena cidade destroçada. Mesas, cadeiras, fogões e árvores bloquearam a passagem da água que devia dirigir- se ao mar. Os moradores dizem que nunca testemunharam tanta água na cidade como desta vez. Leandro Paulino, residente na rua 4 de Fevereiro, da zona B, a OPAÍS, declarou que em todo o lado as águas pluviais estagnaram, pelo facto de o bairro não dispor de um sistema de drenagem funcional.

“As pessoas acabam por deitar lixo nas montanhas, e isso faz com que as nossas valas de drenagem sofram alterações. Por outra, são as construções por cima das próprias valas e em locais onde há pequenas tubagens”, explicou. Segundo ele, este é um dos factores que levam com que a água da chuva arraste o lixo do bairro para o interior das residências, uma vez que as tubagens estão obstruídas, e, como a água leva muito tempo a infiltrar- se, provoca a proliferação de mosquitos. Gilberto Alfredo, outro morador, também lamentou a inexistência de um sistema de saneamento eficaz.

A título de exemplo, referiu que muitas casas de banho e as fossas de sua casa ficaram submersas. “Esta foi a pior chuva que acompanhei aqui. Tudo transbordou, o que acabou sendo um problema para os moradores”, acrescentou. Por seu turno, Isabel Camilo, que vive há mais de 40 anos no bairro 4 de Fevereiro, também não perdeu a oportunidade para expor, por via do jornal OPAÍS, os problemas que o seu bairro enfrenta, esperançado que as autoridades competentes invertam o quadro.

“Antigamente, tínhamos um esgoto que facilitava o escoamento da água, mas com o passar do tempo, arranjaram a estrada e esqueceram-se dele. Desde então, o problema mantém-se”, apontou. A empreiteira, segundo ela, tentou resolver o problema, porém sem sucesso, pelo facto de terem aplicado anilhas pequenas em condominios, que não têm capacidade suficiente para escoar o lixo que a água arrasta. “A lama vem do bairro que está num nível superior à cidade. Se isso continuar, teremos muitos problemas de saúde. A situação tem que melhorar porque a nossa rua é a mais afectada”, desabafou. A prática desportiva na comunidade também está condicionada. O campo de futebol lá existente está inundado. Além dos problemas de saneamento do local revelados pelos moradores, o bairro também enfrenta o dilema da criminalidade.

“A cidade está a viver uma situação caótica”

Agastado com a situação, o presidente da comissão de moradores do bairro 4 de Fevereiro, Ranito Camilo, afirma que a cidade está a viver uma situação caótica, em consequência do mau estado das valas de drenagem. “Toda a água que chega à cidade sai desses bairros que estão nas montanhas. Como as valas de drenagens não foram limpas, a água ultrapassou o nível das pontes e inundou as ruas da cidade, deixando- a neste estado caótico”, frisou. Salientou que a Administração local deve aproveitar a época do Cacimbo para limpar as valas de drenagem, ou seja, desassorear as pontes para que a água não passe por cima delas e se estagne na berma da estrada. “Sempre que chove, as ruas mais afectadas são a 4 de Fevereiro e a dos Namorados, porque as pontes que aqui existem e levam ao canal do outro lado, até à praia, estão entupidas”.

Por falta de saneamento básico e de esgotos nas duas ruas, o asfalto desapareceu, e, para inverter a situação, os moradores fizeram uma contribuição financeira destinada a alugar uma máquina para limpá- las. “Eu já gastei 50 mil kwanzas do meu próprio bolso no aluguer de uma máquina para endireitar a vala”, atestou. O responsável da hospedaria ZALM, Raimundo Magalhães, conta que também registaram grandes perdas porque o canal de passagem de água estava vedado. “Caiu a primeira chuva que amoleceu a terra e, depois de dois dias, voltou a cair uma carga pesada que arrastou um montão de areia das montanhas, cheia de lixo.

Até fogões vieram parar cá dentro”, frisou. Contou que por falta de um sistema de recolha de lixo eficaz nos bairros situados ao redor da cidade, os munícipes depositam-no nas valas, impedindo assim a passagem da água. A água da chuva, cheia de lodo, arrombou o portão  do seu estabelecimento e inundou o quintal. “Dos 20 quartos do nosso estabelecimento, 17 ficaram com as mobílias totalmente destruídas. Ainda estou a retirar a lama que chegou aos sete centímetros de altura. Espero que não chova mais nos próximos dias, porque ainda não acabamos de colocar a barreira para travar a lama”, desejou. OPAÍS constatou que a vala de drenagem encheu até transbordar, deixando várias residências e famílias desalojadas. Mesas, cadeiras, fogões e árvores bloquearam a passagem da água que se deve encaminhar ao mar. A chuva teve a duração de mais de cinco horas.

Criminalidade em alta Os nossos entrevistados mostraram- se indignados também com a escassez de segurança em alguns bairros. Episódios de agressão física e assaltos a residências têm sido frequentes, e não são raras as vezes que ocorrem às 20 horas. Enquanto alguns moradores queixam-se, outros dizem estar satisfeitos com as operações que têm sido desenvolvidas no seu bairro. Noé João, por exemplo, demonstrou-se satisfeito com o abastecimento de água no seu bairro, pelo facto de não registar cortes frequentes.

Munícipes aguardam por solução do Executivo

Em entrevista a OPAÍS, o administrador municipal de Porto Amboim, José do Espírito Santo, garantiu que no seguimento da visita de campo efectuada no ano passado àquele município destinada a solucionar este problema, esforços estão a ser envidados pelo Governo provincial e pelo Ministério da Construção, visto que algumas estruturas integradas da província carecem de uma intervenção imediata. “No dia 2 de Novembro receberam uma delegação de empresários coordenada pelo vice-governador para o Sector Técnico e Infra-estruturas, que identificou onde poderão atacar primeiro”, informou. Confessou que, tal como os munícipes, também augura que o Governo provincial, em coordenação com o Executivo Central, já tenham desenvolvido um trabalho para que nos próximos tempos a medida não seja apenas paleativa, mas virada para resolver o problema. Segundo o gestor público, a última chuva chegou aos 87. 7 milímetros, facto que não é normal.

Porém não houve mortes, tendo apenas oito residências ficado destruídas, principalmente as de construção precária, além do desabamento de um campo de jogos. José do Espírito Santo reconheceu que a cidade não está preparada para receber as enxurradas que se aproximam, visto que não é hábitual a ocorrência de situações do género no mês de Janeiro. “As chuvas começam geralmente na segunda quinzena de Fevereiro e terminam em Abril. Neste momento não estamos preparados. Temos duas valas de drenagem que estão assoreadas, portanto, a vala das hortas e a vala que passa pela cidade”, revelou.

E acrescentou: “Também temos os bairros periféricos da cidade onde nem todos têm casa de construção definitiva. a maior parte delas são precárias. Se houver grandes chuvas, é logico que as casas de adobe não vão aguentar a humidade”. O administrador municipal referiu que depois da chuva que inundou uma parte da cidade, registou-se uma intervenção rápida da Administração que resolveu logo o problema das “Katatas” fechadas (acumulado de área do mar num espaço em que desaguam as águas da chuva). “As áreas acumularam-se e a água não passou directamente para o mar, o que provocou esta situação. Foi prontamente intervencionada e conseguimos retirar toda a água da cidade”, detalhou.

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