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Cancioneiro popular “imortalizado” ao som do saxofone

“Quatro Mwangolês Sax: Unidos num sopro” é a designação do concerto musical sob iniciativa do saxofonista Nanutu, e abraçado pela Fundação Sindika Dokolo, que vai ter lugar nas instalações do Palácio de Ferro no dia 10 de Fevereiro às 22 horas.

POR: Jorge Fernandes

O concerto nasce como resultado de uma residência artística que congregou quarto artistas num diálogo de sopro, designadamente Nanutu, Sanguito, Massy e Franco, e que permitiu o reencontro de dois principais viveiros da geração de sopros, a “Casa dos Rapazes” e a “Casa Pia”. Daí surgir a ideia e a demonstração de força dos instrumentos de sopro na música angolana. Por esse facto, os artistas acompanhados da guitarra solo de Teddy N’singui, baixo de Mias Galheta, com a percussão de Dalú Rogée, vão levar o público a reviver clássicos do cancioneiro popular angolano, bem como canções de suas autorias.

Assim, em duas horas de concerto poder-se-ão ouvir do sofro dos saxofones temas como Chofer D´ Praça, Ufolo, Reencontro, Panguiame + Angelica, Acordion, Belina, 2000, Adeus Comandante, Cumbia, Licamboyo, Pôr-do-sol, Luandei, Kuabacaye-Rap, “Django Ué, Cudiango Rebita e outras mais. A expectativa é boa, de acordo com Olívio dos Santos, membro da organização, que convida os amantes da música angolana a fazerem-se presentes, sendo que as entradas são grátis e, acima de tudo, será um Cancioneiro popular “imortalizado” ao som do saxofone com momento de sons e ritmos de mestres da arte musical no que ao saxofone diz respeito.

Os protagonistas

António Manuel Fernandes, conhecido como Nanutu, assumiu esse pseudónimo artístico na Casa dos Rapazes de Luanda, onde aprendeu a tocar, começando pela bateria, até aos nove anos, quando preferiu o clarinete. A sua estreia na música aconteceu com o Agrupamento Aliança FAPLA – Povo e tem como destaque Os Merengues e Semba Tropical. Actualmente, tem os seguintes trabalhos Marés” (1996), “Kizofado” (2000), “Luandei” (2005), “Bisa”(2009) e “Ximbika” (2012).

Sanguito

Por sua vez, Sanguito, orfão de guerra, o contacto com a música acorreu em 1967, na Casa dos Rapazes de Luanda, sendo a guitarra seu primeiro instrumento. No limiar da Independência cria o conjunto os “MiniPopulares”. Tem os albuns “Lente Vida”, “Ngueza”, e “Kamba diami”, tendo na forja o quarto que estará à venda no dia do concerto e será lançado oficialmente no dia 11 de Feverreiro, na Praça da Independência.

Massy

Massy e Franco são os outros dois integrantes do projecto “Quatro Mwangolês Sax”, ambos com passagem na Casa Pia. Luís Massy entra na música popular pelo FAPLA, grupo que ingressa em 1975 com o amigo Nandinho. Frequentou a Academia de Música de Luanda e tornou-se instrutor. Nos últimos anos exerceu cargos administrativos, primeiro como responsável dos Jovens do Prenda (1992 -2002) e mais tarde, em 2006, é eleito Secretário Executivo da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC).

Franco

Franco é o nome artístico de João Manuel Fernando, que na altura em que estava na Casa Pia, por ter um carácter autoritário, era tratado por Franco Nero. Natural do Uíge, a música surge na Casa Pia. Antes da Independência, com os artistas Mauro do Nascimento, Cirineu Bastos, Teles e Jorge Andrade toca na boite Comoro, substituindo Sofia Rosa. EM 2010 participou no Japão no Festival das Cinco Raças, tocando flauta com a Orquestra da Câmara de Tokyo.

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