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O crescimento económico em África

O último relatório do Banco Africano de Desenvolvimento apresenta como tema central as infraestruturas, as quais reclamam, anualmente, recursos entre USD 130 e USD 170 mil milhões, havendo que recorrer a financiamento e, ao mesmo tempo, evitar o endividamento excessivo

Banco Africano de Desenvolvimento é uma i n s t i t u i ç ã o criada em 1964 e conta com 54 países africanos como membros regionais e 27 países não-africanos como membros não-regionais. Sedeado em Abidjan capital da Costa do Marfim, presidido por Akinwuni Adesina tem a missão de promover o crescimento económico sustentável e reduzir a pobreza em África.

O seu recente relatório sobre as perspectivas económicas em África, divulgado em Janeiro de 2018, aponta para um crescimento real da produção de 3,6% em 2017, estimando- se expansão de 4,1% em 2018 e 2019. O mesmo relatório tem como tema central o investimento em infraestruturas.

Apesar da resistência e dinamismo das economias africanas que contribuiu para o crescimento económico dos países, continuam a existir desafios, especialmente ao nível das transformações estruturais, que permitiriam a criação de mais empregos e reduziriam a pobreza através da reafectação da mão-de-obra a actividades tradicionais com produtividade reduzida, como a agricultura.

A necessidade de industrialização do continente é fundamental para minimização da pobreza e a criação de emprego, para os 12 milhões de jovens que todos os anos se juntam à população activa do continente. Entretanto, a insuficiência de infra-estruturas produtivas em alguns serviços como a energia, água e transporte apresenta- se como entrave para o processo de industrialização.

O continente precisa anualmente de aproximadamente USD 130 a USD 170 mil milhões para as necessidades de infra-estruturas. Para colmatar este défice e a necessidade urgente nas áreas da saúde, educação, capacidade administrativa e  segurança é necessário atrair capital privado. Actualmente, África apresenta uma receita fiscal anual de aproximadamente USD 500 mil milhões, USD 50 mil milhões em ajuda externa, USD 60 mil milhões em remessas e USD 60 mil milhões em entradas de Investimento Directo Estrangeiro (IDE).

O continente precisa de mais financiamento para o desenvolvimento. Porém, a acumulação de dívida deve ser consistente com as necessidades de desenvolvimento dos países e com a capacidade de cumprimento das obrigações dos empréstimos sem comprometer os fundamentos para o crescimento futuro.

A dívida contraída deve ser alocada em investimentos produtivos, que produzam fluxos de rendimentos para o autofinanciamento e o crescimento da economia. Os sectores que são destacados com potencial para absorção elevada de mão-de-obra incluem o agronegócio, indústrias criativas, como o caso da indústria do cinema que só na Nigéria emprega um milhão de pessoas.

O fabrico em poucas quantidades pode absorver muitos trabalhadores com pouca qualificação, que no entanto, podem receber formação rápida em algumas áreas como vestuário, têxtil, couro e turismo. A instituição ressalta que a diversificação económica destaca-se como factor essencial para a resolução de alguns problemas do continente. A prioridade dos governos dos países africanos deve passar pelo encorajamento de uma mudança de direcção para planos de crescimento que absorvam a mão-de- obra, seguido de políticas que apostem no investimento em capital humano.

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