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Pediatria do Hospital Geral de Benguela precisa de enfermeiros e especialistas

O serviço pediátrico do Hospital Geral de Benguela regista uma atenção insuficiente às crianças por falta de médicos pediatras de várias especialidades, bem como de enfermeiros

Por: Zuleide De Carvalho

A semana começou agitada na pediatria do Hospital Geral de Benguela (HGB). Tudo porque nesta altura do ano normalmente regista-se uma superlotação na área de internamento. Deste modo, quando o jornal OPAÍS visitou o local, estavam sob cuidado dos recursos humanos da pediatria, com constante auxílio dos pais, 188 crianças, 38 acima da capacidade de camas (que são 150).

O fluxo de pacientes supera a média porque recebe pais desesperados provenientes de diversos pontos da província, a partir dos habitantes dos bairros do município sede, pois nestas localidades não há condições para internamento. Sobre isso, o director municipal da Saúde em Benguela, Garcia Paulo da Costa, defende que, “enquanto a periferia não funcionar, o Hospital Geral de Benguela continuará a ter enchentes”. E, para que a periferia funcione, há a necessidade de se suprir algumas necessidades.

Falta fornecer água potável às populações e, por conseguinte, aos postos médicos existentes; falta iluminação pública, bem como a distribuição de energia eléctrica para operacionalização dos equipamentos hospitalares. É imperativo também acabar-se com os amontoados de lixo, diminuir-se a criminalidade, para que os enfermeiros trabalhem em segurança à noite, e criar vias de acesso terrestres, de forma a encurtar distâncias e facilitar a locomoção.

Especialistas inexistentes e enfermeiros em falta

Para garantir o funcionamento ideal dos serviços de pediatria, é urgente que haja pediatras especializados nas mais diversas áreas, de forma a que o atendimento às crianças seja feito nos padrões universalmente aceites. Todavia, na pediatria do H.G.B., há 18 médicos. Três especializados em pediatria, 3 em neonatologia e, para as demais especialidades médicas, exemplificando-se, há intercâmbio com cardiologistas, ortopedistas e neurologistas de adultos, para socorrer as crianças.

Quanto ao volume de médicos, a pediatra Ana Cardoso defende que “ainda é um número insuficiente, e os enfermeiros são 78, a trabalhar por escala, estando apenas 4 presentes em cada turno”. Médica residente, Ana Cardoso, responsável interina da Pediatria do HGB, informou que a malária permanece líder das patologias diagnosticas naquela unidade. Dos 188 internados, 91 crianças padeciam de malária complicada.

No Domingo último, duas crianças faleceram por malária neste hospital, perfazendo um total de 5 mortes derivadas dessa pandemia ocorridas na semana passada.

As demais doenças detectadas já criaram “rotina” nos serviços pediátricos do HGB, cingindo-se à broncopneumonia, doenças diarreicas agudas e má nutrição. Sobre fármacos administrados aos pequenos pacientes, apenas no banco de urgência pediátrico são oferecidos.

Quanto às crianças internadas, são passadas receitas para que os pais comprem os medicamentos, incluindo-se os anti-maláricos.

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