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Família de jovem morto pelo amigo revoltada com a Justiça

Mais de um ano desde a morte de Ricardo Simão (Acha), familiares e amigos dizem estar revoltados com a Justiça por ter decretado a liberdade provisória de Welliton Pederneira (o suposto assassino), mediante termo de identidade e residência-

POR: Milton Manaça

Os familiares do jovem morto pelo amigo em Novembro de 2016 em Luanda, dizem-se indignados com a actuação dos órgãos de justiça, por terem soltado o suposto assassino de Ricardo Simão (Acha). Por esta razão, o tio da vítima, Vunda da Silva, considera que não se está a meter em prática o slogan “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, e acredita que o facto de o pai do acusado ser director- adjuto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda estará a influenciar o processo. “Apesar de saber que o nosso familiar já está morto, estávamos um pouco confortados por saber que o culpado estava na cadeia. É revoltante vê-lo a circular de um lado para o outro um ano depois do sucedido”, desabafou Vunda da Silva.

A mãe do malogrado, Marcelina da Silva, também não escondeu o seu descontentamento e diz que esta situação tem causado revolta no seio familiar. Ela acredita que se está diante de um caso de impunidade, apesar da gravidade do crime. O sentimento de revolta surgiu depois de o acusado, Welliton Pederneira, ter sido visto solto na sua festa de noivado que aconteceu no último Sábado, na Vila Alice, o mesmo bairro onde Acha foi morto por volta das 2horas do dia 20 de Novembro de 2016, com um tiro nas costas.

Vunda da Silva contou que Welliton Pedeneira atingiu mortalmente o seu amigo de infância de forma propositada, após Acha ter repreendido o seu companheiro por causa das sucessivas ameaças com recurso a arma de fogo que fazia às pessoas com quem convivia. “Depois de matar o meu sobrinho fez uma ligação e alguém apareceu com uma motorizada e levou-o. Minutos depois, a namorada do Welliton apareceu com uma viatura do SIC e removeu o corpo para a morgue antes da dr perícia policial”, contou. Disse, por outro lado, que era frequente ver o acusado e a sua noiva andarem com viaturas da corporação, apesar de não serem efectivos do SIC.

Oito sessões de julgamento

O caso já se encontra em julgamento e já foram realizadas oito sessões, mas Marcelina da Silva espera que a legalidade seja reposta e refere que o suposto culpado não pode estar em liberdade. “O acusado deambula pela cidade, ante a dor da família vitimada”. Marcelina da Silva, que se viu forçada a mudar de bairro por não suportar a mágoa de viver no mesmo bairro onde o seu filho foi assassinado. Acrescenta que a família do acusado profere palávras de insultos com sorrisos irónicos desde que Welliton foi solto.

Antecedentes

Patrick, um dos amigos de Welliton e do malogrado Acha, com quem OPAÍS conversou, disse que o acusado fazia-se acompanhar de pistola em quase todos os lugares que em fosse, mesmo não sendo efectivo da Polícia Nacional ou de qualquer outro órgão de defesa e segurança. Segundo ele, três anos antes da morte de Acha, o acusado causou pânico em diversas ocasiões na Vila Alice, no espaço adjacente ao Estádio da Cidadela, e noutros bairros. “A discoteca que temos aqui ao lado encerrou porque ele fez dois disparos que atingiram os vidros da porta e uma das janelas. Desde este acontecimento o estabelecimento nunca mais voltou a abrir”, contou. Questionado sobre o assunto, o porta-voz dos Serviços Prisionais, Menezes Cassoma, disse que o jovem Welliton foi posto em liberdade provisória mediante termo de identidade e residência emitida pelo Tribunal Provincial de Luanda em Janeiro do corrente ano. Meneses Cassoma explicou que os cidadãos quando dão entrada numa penitenciária fazem-no mediante a apresentação de uma mandado de condução à cadeia e a sua soltura acontece nos mesmos moldes.

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