Entre a religião e o diabo

Haveria de haver um local neste país onde se pudesse adoecer sem se temer pela morte como uma espécie de consequência imediata obrigatória, independentemente do tipo e gravidade da enfermidade.

POR: José Kaliengue

A coisa está tão mal que, lendo, vendo ou ouvindo as reportagens que diversos órgãos de comunicação social vão realizando pelo país, ou nos tornamos todos uns hipocondríacos militantes, ou numa espécie de suicidas sem medo de nada. Todas as reportagens dizem que não há médicos suficientes nas unidades hospitalares, não há medicamentos e nem espaço para um internamento condigno.

Ou seja, nem sequer há dignidade na hora da morte nos lugares que deveriam ser de salvação. Muita coisa está mal. Uma conversa com pessoas mais velhas basta para lançar ao passado um olhar nostálgico, apesar de todos os outros considerandos. Havia os hospitais missionários especializados que atendiam as pessoas com menos posses, com os hospitais de Caluquembe – Huíla (neurologia) o do Vouga, hoje Cunhinga – Bié (Oftalmologia), o da Chissamba – Bié (medicina) e outros quantos.

Aí os doentes sabiam que teriam atendimento humano, medicamentos e bons técnicos. Talvez esteja na hora de o país convidar as ordens religiosas dedicadas aos cuidados médicos. O Estado está com dificuldades e a medicina privada, como se sabe, é quase o diabo.