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De todo o mundo para Ntaya por Simão Toco

Não são apenas cidadãos nacionais que “enchem” a pacata localidade de Ntaya. Passeando-se pelas suas ruas e ruelas, pode-se encontrar peregrinos vindos de países africanos, europeus e asiáticos.

POR: André Mussamo
enviado a Maquela do Zombo

Lima Nzuzi Nicola viajou de Paris para Angola e está em Ntaya em busca de sabedoria e força para inverter a falta de fé que assola as sociedades europeias, muito apegadas ao consumismo e ao materialismo. O francês de origem congolesa admite que a empreitada de “evangelizar” a Europa actual é mais difícil do que cumprir iguais desígnios em África. Segundo ele, o europeu dos nossos dias é mais relutante em acreditar numa religião, “mas, com fé e força divina”, acredita que a missão será levada avante. Veio acompanhado pela esposa e mais 3 outros tocoistas europeus. Está animado e espera pelo dia D, ao mesmo tempo que se declara uma pessoa felizarda por estar presente na comemoração dos 100 anos do fundador da religião que tocou o seu coração.

“A passagem dos 100 anos é um momento extraordinário. E, mais ainda: vê-se que a Igreja cresce”, revela Nzuzi Nicole num diálogo animado que estabelece com os jornalistas que cobrem o evento. Da Namíbia veio o reverendo António Sebastião Vemba. O religioso anuncia a boa nova: em breve uma avenida de Windhoek chamar- se-á Simão Toco. Vemba tem dupla nacionalidade (angolana e namibiana). Lidera os tocoistas em terras de Sam Nujoma, um grupo estimado em cerca de 600 pessoas, e coordena ainda as igrejas e grupos de tocoista de vários países na Africa Austral. “Agradeço na qualidade de peregrino”, diz, e revela que se faz acompanhar por mais 33 outros membros. Anima-lhe o facto de estar em Ntaya e acredita que daqui sairá com a espiritualidade renovada e forças para continuar a pregar o que Simão Toco sempre defendeu.

Das terras de Samora Moisés Machel chegou um solitário peregrino que, coincidentemente, partilha o sobrenome do antigo chefe de Estado, chama-se António Raúl Machel. Ao falar aos jornalistas, deixa claro que o nome é tão-somente mera coincidência e nada mais. Na hora de contar a sua experiência à imprensa, diz que está sem palavras para expressar a sua satisfação por estar presente num acto de tamanha envergadura. Diz sentir-se honrado por estar presente nesta terra, sendo um privilégio participar na peregrinação, apesar de o tocoismo ainda ser ainda emergente em Moçambique. Do país ao lado, África do Sul, escalou o solo angolano o pastor Moses Doris.

Por alguns dias deixou a sua paróquia de Oudthoorn em Western Cape e veio reforçar a sua crença no tocoismo. “Este é um momento ímpar da minha vida espiritual”, conta o peregrino chegado das terras de Mandela. Em Ntaya espera adquirir mais conhecimentos sobre os feitos protagonizados pelo fundador do tocoismo. “Sinto-me livre espiritualmente. Estou a aprender muita coisa. Vim aqui com mente aberta e trazido pela crença que tenho nestes ideais de Simão Toco. A primeira vez que ouvi falar de Simão Toco foi na cidade do Cabo e desde aquele dia que o aceito como o meu Pai Espiritual”, revela Moses Doris que, a concluir, promete ter a mente aberta para “absorver o poder do espírito santo”.

Andando pela localidade é possível contar páginas de histórias similares a estas, já que na também chamada “Terra Santa dos Tocoístas” juntam-se esta semana cidadãos do mundo, chegados de países como a Bélgica, França, Alemanha, Suíça, Zimbabwe, Moçambique, Reino Unido, Namíbia, Portugal, Japão e outros. Porém, é tal a multidão que igual aventura é verdadeiramente uma tarefa difícil. O denominador comum para todos é que estão unidos pelo cristianismo e pela peculiaridade dos ideais do pastor africano Simão Gonçalves Toco, o que faz com que, apesar de serem aos milhares, confluam nos pontos chave e unanimemente reiterem que o momento é uma oportunidade para que todos se sintam filhos de um só Pai, unidos pelo amor a Ele.

De acordo com dados oficiais da organização, encontram-se na localidade de Ntaya pelo menos 2 milhões de fiéis, e, até às vésperas do próximo Domingo, estima-se que o número possa chegar aos 3 milhões, atendendo que são milhares os que não puderam chegar ao local antes da pausa do fim de semana por compromissos laborais. Continua a espectativa de que cheguem mais peregrinos do estrangeiro, particularmente de países africanos, como os Congos, que têm a tarefa facilitada em comparação com os de outras nacionalidades, dada a sua proximidade geográfica ao local. Refira-se que Ntaya dista apenas quatro dezenas de quilómetros do território da República Democrática do Congo.

Ntaya: a Meca dos tocoístas

A missão de Ntaya é uma aldeia fundada a 11 de Setembro de 1963 pelos tocoístas. Está localizada na província do Uíge, município de Maquela do Zombo. É limitada a Norte pela Republica Democrática do Congo, a Sul pelo município da Damba, a Leste pelo município de Buengas, a Oeste pela província do Zaire. Dista 15 quilómetros da vila de Maquela do Zombo, sede do município com o mesmo nome. Contam as fontes históricas que a aldeia foi criada por Simão Gonçalves Toco depois de negociações mantidas com as autoridades coloniais, que antes haviam decretado uma perseguição sem tréguas aos aderentes dos seus ideais. Simão Toco, movido por propósitos libertadores e de “ajustar o cristianismo à realidade africana”, terá optado por juntar os seus seguidores em local único para evitar novas sevícias contra os mesmos, depois de terem experimentado “dias difíceis” refugiando-se em várias aldeias e na floresta, tal era a perseguição dos colonialistas.

A água é um dos maiores tesouros de Ntaya. Vários rios banham as suas verdejantes terras férteis e generosas para a agricultura. Ntaya é uma localidade privilegiada pelo agradável clima, também por estar rodeada de pequenas aldeias intrínsecamente ligadas e associadas ao tocoísmo. “Em Taya, Terra Santa dos Tocoístas, juntam-se esta semana cidadãos do mundo inteiro, chegados de países como Bélgica, França, Alemanha, Suíça, Zimbabwé, Moçambique, Reino Unido, Namíbia, Portugal, Japão e outros, todos unidos pelo cristianismo e pelos ideais do pastor africano Simão Alves Toco, para que todos se sintam filhos de um só Pai”

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