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indícios de cólera afligem habitantes de MBanza Calumbo

isabel Pedro Razão, natural do referido bairro, teve de mandar a sua filha, Maria Neto, de 19 anos de idade, que, recentemente sentiu um mal-estar acompanhado de vómitos e diarreias, para outras paragens de Luanda, onde pelo menos há água potável

Por: Alberto Bambi

Os moradores da localidade de MBanza Calumbo, município de Viana, em Luanda, revelaram, Terça-feira, 27, a OPAÍS, que, de algum tempo a esta parte, estão a registar casos isolados de cólera, fruto da água não tratada que consomem. Segundo a coordenação do bairro, no final do ano passado reportaram a situação às entidades superiores do sector da Saúde local que, num encontro de concertação com os responsáveis da Administração local, manifestaram tal preocupação, perante os mandatários da comuna.

“Em Dezembro de 2017, o senhor Daniel, administrador do Centro Médico de Calumbo, disse, na nossa presença, ao administrador municipal, que uma das principais preocupações do sector eram os casos de cólera que estavam a surgir no MBanza Calumbo, por causa da má qualidade da água que o povo dessa área usa para beber, confecionar os alimentos e para outros fins domésticos”, relatou o coordenador, Faustino Modesto.

O líder do subúrbio em causa não entende, por isso, como é que a administração do centro médico e da comuna, com quem disse ainda ter mantido contacto sobre o assunto na manhã da reportagem de OPAÍS, não tomaram qualquer iniciativa para inverter o quadro .

“Mas quando tocamos em assuntos que envolvem, directa ou indirectamente, a necessidade de projecção de água potável no MBanza Calumbo, os responsáveis da Administração Comunal se limitam a ouvir-nos, não dizem se vão ou não resolver”, desabafou o coordenador do bairro situado próximo do rio Cuanza.

Recordou que a única tentativa de minimizar a situação desta carência, por parte dos responsáveis comunais, aconteceu em 2008, quando houve a entrada em funcionamento de um chafariz que, de acordo com os habitantes, só funcionou por alguns meses.

Ainda em Julho do ano passado, na única visita que o actual administrador municipal de Viana fez ao MBanza Calumbo, prometeu resolver os problemas expostos pela comissão de moradores, principalmente o da água, energia eléctrica, bem como de serviços de saúde.

“A situação do transporte foi ponderada com a falta de uma estrada asfaltada ou devidamente terraplanada”, recordou Isabel Pedro Razão, que encontrou no calor da disputa eleitoral a razão para a referenciada visita de campo do administrador Jeremias Dumbo.

Importa referir que a comissão de moradores dessa área de Luanda já remeteu uma informação sobre o assunto ao Governo da Província de Luanda (GPL), que acusou a entrada da mesma, por via de uma rúbrica na cópia do mesmo documento.

Continuando no uso da palavra que, oportunamente, havia retirado do seu coordenador, a moradora e nativa da localidade ribeirinha, serviu-se da função de conselheira, que ocupa há mais de cinco anos, para dizer que as promessas vãs feitas aos populares de MBanza Calumbo se justificavam pelo facto de alguns dirigentes da localidade não sentirem a sua e a dor dos seus vizinhos.

Relativamente aos invocados casos de cólera, Isabel Razão contou que a sua filha, Maria Neto, de 19 anos de idade, foi, recentemente acometida de dores na região do estômago que, rapidamente, se fizeram acompanhar por vómitos, diarreia e dor de cabeça. Ao buscar os serviços médicos na sede da comuna, ela foi aconselhada a levar a filha para o hospital do Zango, em função da gravidade, mas Isabel Razão optou por levá-la ao Hospital Municipal de Capalanga, de onde a paciente foi transferida para uma unidade hospitalar de Luanda com mais capacidade técnica e humana.

“Depois do tratamento, aconselharam- me a assentar a convalescente numa área onde, pelo menos, há água canalizada, a fim de não voltar a acontecer o fenómeno”, referiu Isabel, adiantando que a sua filha poderá não regressar mais ao bairro.

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