Suposto mandante de desvio de combustíveis na Huíla continua “solto”

O caso do desvio de combustíveis na província da Huíla continua a mexer com a sociedade local, sobretudo pelo facto de o director provincial do Serviço de Investigação Criminal (SIC ) “estar em casa”, quando é apontado com um dos mandantes desta acção

Por: Ireneu Mujoco

Alberto Amadeu Gonçalves foi interrogado e detido, a 25 de Fevereiro último, na Delegação Provincial da Procuradoria Geral da República na Huála, mas solto no mesmo dia sob termo de identidade de residência. Esta é a segunda vez que o director do Serviço de Investigação Criminal (SIC) nesta parcela do território nacional é interrogado pela PGR.

Em Janeiro, uma delegação constituída por altos funcionários da Direcção Nacional dos Serviços de Investigação Criminal e do Ministério do Interior (MININT) deslocou- se ao Lubango com o propósito de inteirar-se sobre este processo em investigação na PGR. Fontes da Delegação Provincial do MININT contactadas por este jornal referiram que Alberto Amadeu Gonçalves goza de protecção superior, pois, só assim se justifica que esteja de fora “quando evidências apontam ser uma dos cabeças do crime”.

De acordo com a mesma fonte, “o que se está a passar é pura impunidade”, sugerindo a entrada em cena dos órgãos afins para tratar do caso. Agora que no país sopram os ventos do combate à corrupção e à impunidade, lançados pelo Presidente da República João Lourenço, segundo a fonte, “os órgãos especializados devem actuar a partir da cidade do Lubango para a devida responsabilização”.

Agastada com as ocorrências, a fonte deste jornal avança que o ministro do Interior e o director nacional do SIC conhecem, supostamente, as falcatruas de Alberto Amadeu Gonçalves, que se diz ter já sido suspenso do serviço por quatro anos, por estar implicado num alegado processo de desvio de droga apreendida em Luanda. Tratava-se supostamente de um valioso ‘carregamento’ de estupefacientes, além de estar igualmente envolvido na venda de combustíveis, e também na venda de viaturas apreendidas.

“Como é que uma pessoa com este cadastro não é suspensa de toda a actividade do SIC?”, questiona- se, argumentando que a imagem de Alberto Amadeu Gonçalves está muito chamuscada e apenas dificulta o próprio funcionamento do SIC na província. Estabelecendo alguma relação com o caso do director do SIC/Namibe, o superintendente chefe Assunção, suspenso por ter alegadamente cometido adultério, lamenta o facto “de nada acontecer ao nosso director, mesmo com inúmeros desmandos de que é acusado”, refere ainda a fonte.

O director provincial do SIC não está suspenso e nem comparece ao seu posto de trabalho, estando em casa, de onde, supostamente, orienta as suas ‘toupeiras’ para fomentar uma onda de perseguições internas que põem em causa o funcionamento e a credibilidade do órgão.

“O chefe não está suspenso, porém não trabalha. Ele tem alguns colegas que sempre lhe foram fiéis, aos quais dita ordens para sabotar o bom ambiente laboral”, destacou.

O descontentamento no SIC/ Huíla, prosseguiu, está instalado, numa altura em que o próprio delegado provincial do MININT, comissário Arnaldo Manuel Carlos, também teria já reportado o assunto ao ministro e ao director nacional do SIC para a suspensão do seu subordinado local, enquanto decorre o processo judicial no qual também estará implicado, mas o documento parece ter sido ‘engavetado’.

Duas comissões ‘despachadas’ para a Huíla pelo director geral do SIC (a mais recente esteve no Lubango em Fevereiro último), nada produziram. De volta ao banco dos réus O PAÍS apurou, porém, que mesmo não tendo sido arrolado no processo inicial, no qual são indiciados 35 elementos, o director do SIC pode vir a ser chamado a sentar-se no banco dos réus na senda do ‘processo cópia’, isto é, na continuação do processo anterior. “Foram extraídas as principais cópias para o prosseguimento das diligências em falta.

Portanto, há separação de culpas, daí a prisão e soltura de Amadeu Manuel Carlos no passado dia 25 de Janeiro”, concluiu. Entretanto, a sentença do caso do desvio de quatro milhões e 95 mil litros de gasóleo, de Janeiro a Dezembro de 2016, está marcado para o próximo dia 30 de Março depois de ter terminado o julgamento que durou três semanas, abrindo um novo capítulo com a orientação do juiz da causa para que fossem constituídos arguidos alguns declarantes, com realce para Carlos Sebastião, director regional Sul da PRODEL no Lubango.