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Rei Elias revisita clássicos do seu reportório em concerto memorável

Duas noites engalanadas de música, com apenas um denominador comum: a homenagem ao rei da música angolana, Elias Dyá Kimuezo, num concerto memorável, sob a égide da Nova Energia

Por: Jorge Fernandes

Aquinta temporada do projecto mensal “Show do Mês” abriu na última Sexta- feira e Sábado de uma forma magistral, no Royal Plaza Hotel em Talatona. O rei da música angolana, Elias Dyá Kimuezo, protagonizou um concerto à dimensão do “rei” como muitos espectadores o classificaram. Com um reportório de 25 músicas, todas de sua autoria e cantadas integralmente em kimbundu, ao cimo dos seus 84 anos de idade, Elias Dyá Kimuezo contou como convidados especiais, os músicos Carlos Lamartine, Mr. Kim, Paula Miranda, ex-integrantes das Gingas do Maculusso e Massoxi, percussionista da Banda Movimento.

Eles, espectana companhia do rei, fizeram acontecer a festa, com a primeira entrada do anfitrião a abrir as hostilidades com o tema “Mona Ndengue”, ao que se seguiu “Mwa Lunga”, para ovação da plateia cheia com gente de diferentes gerações, cujo mote era testemunhar o seu apreço ao rei. Na sequência ouviu-se, na voz de Massoxi, o tema “Katonhotonho”, Mr. Kim com “Muimbu Uami” e Kota Bué interpretou “Leonor” e ao meio da sua actuação teatralizou a história da canção e a contou de forma animada ao ritmo contagiante do Semba, estilo musical de matriz nacional com que Elias sempre se identificaou.

Repertório

A viagem ao passado continuava, pois eram tocadas afinal músicas registadas desde a década de 1950. E assim, dava-se seguimento ao concerto com outras canções do seu rico e vasto reportório, com “Caminho-de-ferro”. “Kalunga Nguma”, “Kwieku”, “Muxima”, “Mama Kudile Ngó”, “Agostinho Neto”, “São Nicolau”, “Nzala”, “Lamento de Mãe”, “Entrudu”, “Xamavo”, “Ua Zuata”, “Nzon Nzon”, “Kalumba”, “Ressureição”, Luimby”, “Ungamba”, “Semba Makia”, “Zé Salambinga” e fechou com dueto entre o rei e Kota Bué, no tema “Akalakady”, fazendo o público ovacionar em pé e clamar por bis.

E assim foi mais uma viagem pelas memórias do passado, marcadas pelo sofrimento dos angolanos que lutavam contra a opressão do jugo colonial e ao mesmo tempo que lutavam pela independência, apenas alcançada a 11 de Novembro de 1975.

Satisfação

Ficou assim registado um momento musical e sobretudo de Cultura, e de passagem de testemunho, como referenciou em reportagem a OPAÍS de Carlos Guimarães, que ficou surpreso pela qualidade vocal e artística do rei e confessou que muitas das músicas aí tocadas, não lhe passavam pela cabeça de quem era a autoria apesar de sempre as apreciar.

Por seu turno, Laura Miguel, outra assistente do concerto, confessou que, apesar de não ter compreendido o teor das músicas por não falar kimbundu, adiantou que a música é universal e ainda assim notava-se o contágio que transmitia à assistência que até parecia poesia.

“Foi uma homenagem merecida, um grande espectáculo. Não me passava pela cabeça, que Elias Dyá Kimuezo, fosse tão acarinhado pelo público e hoje justificou-se a razão de ser o rei.

Nós ouvimos músicas estrangeiras e as dançamos, mas da nossa, porque é cantada em kimbundu, nem sequer nos preocupamos. Esse é um recado para a gente da minha geração”, finalizou. Próxima atracção Paulo Flores é a próxima atracção do Show do Mês, marcado para os dias 30 e 31 de Março.

Anunciou a organização, para o mesmo local e hora, no âmbito do projecto, sendo este o segundo concerto, dos vinte e dois programados para esta V temporada.

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