Editorial: Só não há espaço para injustiças

Há uma luta pelo poder em Angola, sobretudo o poder económico, que poderá por em causa o Estado se este mesmo Estado não reagir já para salvar a sua qualidade democrática e de direito. A Sonangol é apenas a ponta do iceberg, apesar do seu peso na economia nacional e do seu valor simbólico mesmo ao nível político. A “guerra” poderá, em breve, alastrar-se a outras áreas e empresas. Entretanto, há aqui uma certa miopia, alimentada pela preguiça de começar, de inventar, de fazer o novo. Independentemente dos problemas políticos e sociais, o ideal seria o estabelecimento de um momento zero nas empresas estatais, o surgimento de novos modelos de gestão e de fiscalização e transparência e a abertura de espírito suficiente para se perceber que o potencial do país em termos de negócios está muito longe de estar esgotado. Há ainda muito por onde se enriquecer e cimentar poder. Entretanto, o espaço para as injustiças é que ´já se esgotou. É bom que se perceba.