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Isidora Campos: “Hoje temos muitas mulheres a cantar devido a mais oportunidades”

A cantora Isidora Campos considera que actualmente o mercado musical, diferente do passado, está mais aberto, com mais tecnologias e oportunidades para os artistas.

POR: Antónia Gonçalo

Em conversa com OPAÍS, a artista referiu ser notável o número crescente de mulheres a cantarem vários estilos musicais, devido à sua dedicação e às oportunidades que tiveram de mostrar ao mundo o seu talento. Segundo a cantora, os concursos de descobertas de novos talentos têm contribuído e incentivado os jovens a sonhar e apostarem no seu talento, muitas vezes com o apoio dos familiares. Apesar do facto, a cantora reconhece a carência de indústrias musicais, assim como patrocínios para que estas mulheres possam dar continuidade ao seu trabalho, com o lançamento de obras discográficas. “Temos produtores que acreditam e apostam nestes talentos, assim como pessoas que apoiam os produtores, mas ainda não é suficiente. Esse tipo de trabalho tem que ser visto como um investimento, conforme acontece noutras áreas”, apontou.

Vivências

A artista realçou que a sua etapa como cantora infantil serviu de incentivo para outras mulheres, que pretendiam entrar no mundo da música. Disse ainda que tem constatado em programas televisivos infantis, crianças a fazerem playback das suas músicas, ‘Angola minha terra’, ‘Serei doutora’, ‘Tem crianças a sofrer’, facto que considera relevante para a sua carreira. Disse ainda que, “Até hoje sinto o reflexo do meu trabalho, do impacto que tive na vida de muitas jovens cantoras, porque até hoje sou interpelada na via publica pelos fãs, para falar sobre o meu trabalho”.

Música infantil

Fazendo uma análise das mensagens das musicais infantis actualmente, Isidora realçou que continua a ter mensagens viradas para a educação, mas considera os estilos enquadrados, como Zouk e Semba, inapropriados. Disse ainda que muitas crianças têm como preferência músicas para adultos, tendo justificado que o facto acontece por haver pouco tempo de antena nos órgãos de difusão massiva, como televisão e rádio, com programas infantis. “Temos 24 horas de emissão e às vezes em uma hora é apresentado programas indicados para elas. Então, acostumaram-se a ver programas ou ouvir músicas inadequadas para a sua idade”, ressaltou.

União entre as artistas

Para Isidora Campos, a falta de união entre os artistas está relacionada com factos que se desestruturaram ao longo do tempo, como a maneira de agir das pessoas. “Estou a reclamar algo que acontece na sociedade e se reflecte em vários sectores. Ouço muito falar sobre união entre os artistas, mas a união deve ser de forma global, como cidadãos e como profissionais. Devemos dar voz aos outros, partilhar a unidade e não ideias iguais”, sublinhou. Referiu que a união entre os artistas está relacionada com vários pressupostos, como o trabalho e a aparição constante. Disse ainda haver amizades, respeito dentro da classe, mas considera a união como o respeito e o intercâmbio existente entre as artistas. Considera ainda a falta de união como um problema social, que atinge o país, também a classe artística, mas julga que dentro do comportamento de cada uma, haver o princípio de salvaguardar a união. “Às vezes confundimos união e a amizade. Sou unida com aquelas artistas com quem lido. Há algumas que não conheço, ouço as suas músicas e respeito, porque afinal estamos a lutar por uma causa, engrandecer a cultura nacional”, exaltou.

Projectos

A artista celebrou em 2016, contrato com a editora Arca Velha, que resultará no lançamento da sua quarta obra discográfica, no primeiro semestre do ano em curso, comportará 11 faixas musicais. Isidora Campos completa este ano 26 anos de carreira artística pretende celebrá-los, com a apresentação deste seu trabalho discográfico e desenvolver outras actividades musicais. Segundo a artista, a sua prioridade no momento é o lançamento deste álbum, posteriormente celebrar os anos de carreira. A cantora que fez um rescaldo positivo dos anos de trabalho referiu que viajou para todas as províncias do país, (até mesmo em tempo de guerra) para realizar espectáculos e brindar o público com as suas músicas.

“Ainda existe um carinho especial por mim nos corações dos angolanos. Algumas pessoas pedem para que continue a trabalhar, muitos dizem que marquei a sua infância. É aí onde sinto o reflexo destes anos de trabalho, e sinto que valeu a pena”, enalteceu. A artista avançou ainda que vai apadrinhar um projecto discográfico infantil, que será lançado no ano em curso. O mesmo será ainda apadrinhado por músicos como o Yuri da Cunha e Maya Cool, que incluirá artistas infantis e novos talentos, de modos a promovê-los.

A maternidade

Isidora Campos é mãe de um filho, que actualmente está com nove anos de idade. Realçou que tem sido uma boa experiência, apesar de no princípio ter sido difícil. Disse ainda que com essa experiência conseguiu perceber o trabalho que os pais têm para educar os seus respectivos filhos. “Percebo que os pais fazem a sua parte, dão instruções aos filhos, mas às vezes os resultados não são como esperavam”, constatou.

Perfil

Isidora Vitória Campos Chissoca nasceu em 1978, no Bié. Subiu ao palco do auditório da Rádio Nacional de Angola (RNA) pela primeira vez em 1989, com 11 anos, no Festival Internacional da Criança. Nesta actividade foi destacada como artista infantil revelação e passou a integrar a Sala Piô, da RNA, onde eram leccionadas aulas de canto, teatro e dança a várias crianças. Com 15 anos, depois de a Sala Piô ter sido abolida, passou a corista de cantores consagrados daquela época. Fez parte do grupo Sezu Love, composto por três raparigas. O grupo desfez-se depois de um ano, lançou-se no mercado a solo, tendo gravado então a primeira música intitulada “Amor proibido (Sambapito)”. O seu primeiro trabalho discográfico intitulado “Mais amor chissoca”, lançando em 1999, foi uma homenagem ao seu malogrado pai. O segundo, “Tabú” foi lançado em 2002, já o terceiro “Reflexos” foi lançado em 2006.

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