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Mara Baptista Quiosa: “Governar uma província e gerir uma família é um exercício possível”

Mara Baptista Quiosa, de 37 anos, é neste momento a única mulher, entre 17 homens a governar uma província. Numa entrevista descontraída, contou como concilia o seu trabalho e o dia-a-dia de mãe, esposa, filha, irmã e amiga.

POR: Iracelma Kaliengue

Muito cedo, conta, alcançou cargos de destaque na sociedade, graças ao seu trabalho e dedicação. Hoje, quando faz uma retrospectiva sobre a evolução feminina em Angola, a dirigente considera o país uma “porta aberta” para as mulheres, desde que tenham mérito. Nascida em Luanda, no Bairro da Vila Alice a 13 de Junho de 1980, Mara Baptista Quiosa é casada há 15 anos e mãe de dois filhos. Actualmente partilha o seu tempo entre Luanda e Bengo, província a que governa desde o dia 12 de Fevereiro de 2018. “É difícil conciliar as tarefas da vida, cuidar dos filhos, do marido, fazer o meu papel de irmã mais velha e ao mesmo tempo assumir responsabilidades de Estado, que me foram incumbidas.

É de facto a tarefa mais difícil que tive até agora” disse no começo da conversa Com um largo sorriso, Mara, como pediu que fosse tratada, é a mais nova mulher a ocupar o cargo de Governadora, agora aos 37 anos de idade, passa mais tempo na província do Bengo. Confidenciou- nos que o seu dia começa sempre antes das 6 horas da manhã e não tem hora para terminar. Disse também que sabe da responsabilidade de estar num cadeirão tão importante, e ser representante de muitas mulheres angolanas, ao mesmo tempo que assume a falta que sente de participar da vida da família e aponta o dialogo como mestre das suas decisões. Com ternura na fala, declarou que tem a sorte de ter um excelente pilar na vida para coordenar as suas responsabilidades.

“A minha família tem sido o maior auxílio e principalmente o meu marido que é sem dúvidas a maior força que tenho para continuar em frente, com a força e coragem que carrego”. Acrescentou de seguida que “por questões profissionais vejo- me muitas vezes obrigada a abdicar do meu papel de mãe na participação do crescimento e desenvolvimento dos filhos. Gostava de levá-los à escola, fazer os deveres de casa, brincar e ter férias em família. Infelizmente já há alguns anos que não consigo proporcionar esses momentos regularmente”, disse. “O mais difícil nestas prioridades que as actividades profissionais nos impõem é saber que devemos ser o espelho dos nossos filhos, das nossas famílias e, por outro lado, inspirar outras pessoas (outras mulheres). O que requerer um trabalho árduo e redobrado”, disse, orgulhosa. “É um exercício difícil, mas possível, desde que nós, enquanto mulheres, mães e trabalhadoras, nos propomos a aceitar os desafios e desempenhá-los com força, coragem e, assim, deixar de pensar que a mulher é frágil e incapaz” disse.

Lembrou com algum sofrimento um dos momentos que até hoje a deixa triste e ao mesmo tempo a conforta, quando tem que deixar de cumprir alguma actividade de casa em detrimento do trabalho. Contou que o dia mais difícil e que lhe vai marcar a vida toda foi quando ofereceu ao filho um telemóvel e depois de ligado disse: mamã dá-me o número do teu chefe! “E eu perguntei, porquê? E ele muito inocente com os olhos arregalados disse: para pedir a ele que deixe a mamã ficar um dia connosco aqui em casa.” Lembrou, ainda triste. “Foi para mim um balde de água fria, nunca pensei sentir-me daquela forma. Pensei milhões de coisas e no dia a seguir, passei todo o dia em casa. Claro que não compensou a minha ausência, mas eles ficaram animados”. Enfim, disse que sempre procura encontrar algum tempo e dedicar-se inteiramente à família. “Quando estou em casa, engomo, cozinho, verifico a roupa do marido e dos filhos, organizo coisas que só a dona de casa é capaz de ver”. Confidenciou que aproveita o tempo que tem com os filhos para conversar e inteirar-se sobre o dia-a-dia. “Prefiro aliar-me à conversa e ser amiga dos meus filhos. Sinto-me mais segura porque eles agora já entendem os motivos da minha ausência”.

Perfil

Mara Regina da Silva Baptista Domingos Quiosa é natural de Luanda, nasceu na Vila Alice. É formada em Sociologia pela Universidade Agostinho Neto e está a frequentar o mestrado em Gestão e Liderança. Já exerceu os cargos de Administradora do Sambizanga e vice-presidente para a área Política, Social, Assuntos Comunitários e Ambiente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda. Comida preferida: Mufete Marca: gosto de usar o que me fica bem e de que gosto, não tenho preferências, nem procuro conhecer marcas. Filhos: dois. Casada: sim, há 15 anos. Desafio: ser exemplo naquilo que faço.

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