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Mulheres marcham contra a violência em Luanda

No decorrer da actividade, o grupo de mulheres apontaram a desigualdade e a desunião como sendo barreiras na execução da lei que as protege.

Mais de 500 mulheres marcharam, ontem, em Luanda, em protesto contra todo o tipo de violência contra a mulher, desde o Cemitério do Santana até o 1º de Maio, em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Durante a actividade, promovida pelo Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA), a organizadora Albertina Neto mostrou-se desapontada com a desigualdade e a desunião entre as mulheres. Segundo ela, se não houvessem esses factores, as leis que protegem-nas seriam respeitadas.

“Que as mulheres se unam de Cabinda ao Cunene, e do mar ao leste. Seja qual for a sua raça e a profissão que exerça, porque enquanto fizerem distinção entre elas, não haverá leis que as protejam”, alertou. Para combater esse mal, que aflige cada vez mais a mulher, Albertina defende que se deve atacar a base. “Podemos fazer muitas leis, mas essas leis não vão surtir efeitos sem combatermos a causa. Quantas leis já fizemos sobre a violência? Pegaram? Não. Não velemos pela violência que é o efeito, velemos pela causa.” No que tange à perda de valores morais que, no entender de alguns especialistas angolanos, tem sido a causa de muitos males que enfermam a nossa sociedade, Albertina recomendou que a mulher deve estar alerta.

Por conseguinte, explicou o verdadeiro sentido da palavra igualdade. “Só porque o marido sai com uma, ela também sai com outro. Se o marido sai à noite, ela também sai. Não. Igualdade da mulher não é essa. A mulher tem um papel muito diferente. Não é isso. Ser uma mulher virtuosa é ser uma mulher sábia e com poder de edificar a sua família”, clarificou. Esta posição foi corroborada pela pastora Ernestina que exortou, na ocasião, as mulheres para a mudança de mentalidade. Elas, segundo a pastora, devem conhecer os seus direitos, caso contrário continuarão a sofrer.

Igualmente, aconselhou àquelas mulheres que têm conhecimento a partilharem com as outras que não o têm. “Amarcha serviu também para mostrarmos a unidade, porque Deus é Deus da unidade. Mais do que uma marcha, isto é uma peregrinação. Para vencermos a desigualdade, temos que ter amor por nós mesmas e união. Porque as mulheres não estão unidas. Que nos unamos, porque onde tem união tem victória”, rematou a pastora Filipa Tadeu. De realçar que a marcha enquadra- se na programação “Especial Março Mulher” do CICA que teve início no Dia da Mulher Angolana, 2 de Março, e se estende até o dia 31 do corrente mês.

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