Inflação pode voltar a subir, BNA avisa

A inflação poderá voltar a subir, invertendo a tendência observada desde Janeiro de 2017 e só interrompida em Outubro do último ano, com o BNA a projectar no seu Relatório de Inflação, que esta se situe no intervalo entre 3,82% e 5,7%

POR: Luís Faria

No primeiro trimestre de 2018, a variação mensal da inflação deverá situar-se no intervalo entre 3,82% a 5,70% e a inflação homóloga entre 22,17% a 24,39%, estima o Relatório de Inflação do Banco Nacional de Angola, respeitante ao IV trimestre de 2017. Registe-se que em Janeiro a variação dos preços relativamente ao mês anterior foi de 1,47%, com a inflação homóloga a descer para 22,72%, de acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) respeitante ao primeiro mês do ano. Esta semana o INE deverá divulgar o Índice de Preços no Consumidor Nacional relativo a Fevereiro.

Embora a variação mensal verificada em Janeiro supere a observada em Novembro e Dezembro de 2017, situa-se muito abaixo dos valores que delimitam o intervalo projectado pelo banco central. Já a inflação homóloga (que compara o nível de preços num determinado mês com o nível verificado em igual mês do ano anterior) poderá mesmo baixar, caso se venha a situar mais próximo do limite inferior do intervalo estimado pelo banco central, mas não é de modo algum descartada a hipótese de a inflação inverter o rumo, voltando a subir acima do valor apurado em Janeiro.

O BNA destaca alguns riscos associados à previsão da inflação, nomeadamente o desequilíbrio entre a oferta e a procura no mercado de bens e serviços; o efeito da redução da importação de bens alimentares no IV Trimestre 2017; a expectativa de desvalorização cambial; o desequilíbrio no mercado cambial, ou seja, a quantidade oferecida de divisas inferior à quantidade procurada; a continuidade do programa de vendas dirigidas que distorce o funcionamento do mercado; a magnitude do ajustamento dos preços dos produtos administrados; e o aumento dos impostos.

O último trimestre

Ao analisar o comportamento dos preços no quarto trimestre de 2017 e após observar que, no período, se registou uma variação de 4,70%, o que corresponde a uma redução de 0,82 p.p. face ao trimestre anterior e uma redução de 1,28 p.p. face ao trimestre homólogo, o relatório do banco central faz notar que, no que diz respeito às classes que compõem o IPCN, as maiores variações ocorreram na classe, ‘Saúde’ com 1,96%, com destaque para o diclofenaco (14,10%) e fansidar (10,16%); seguida das classes ‘Vestuário e Calçado’ com 7,70%, com um aumento significativo nos preços das sapatilhas (13,29%) e dos chinelos (12,63%); e ‘Bens e Serviços Diversos’ com 7,45%, destacando-se as despesas relacionadas com baptismos (10,12%) e serviço de cabeleireiro para senhoras (10,08%).

Porém, pelo seu peso, a classe ‘Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas’ é a que continua a dar o maior contributo para o aumento do nível geral de preços ao nível nacional, com 1,73 p.p., seguida da classe 03 ‘Vestuário e calçado’ com 0,53 p.p. e classe 12 ‘Bens e Serviços Diversos’ com 0,51 p.p. O relatório do BNA, para além de se olhar para a inflação por classes, conforme apresenta a estrutura do INE, procura-se também analisar a inflação em duas categorias diferentes: IPC Bens e IPC Serviços, destacando a redução registada na variação trimestral dos preços na categoria ‘Bens’ em 1,37 p.p., que se situou em 5,26%, realçando a variação dos ‘Bens Alimentares’ que foi de 3,76%, correspondendo a um decréscimo de 1,49 p.p. Na categoria ‘Serviços’, verificou-se um aumento na variação trimestral de 0,52 p.p., situando-se em 5,08%.

Cesta Básica

O relatório debruça-se sobre a evolução dos preços médios dos produtos que compõem a Cesta Básica, ‘tendo em atenção a importância que a classe de ‘Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas’ regista no IPC’. Assim, no quarto trimestre de 2017, conclui ter-se observado uma aceleração do preço médio agregado da Cesta Básica em 0,34 p.p. face ao trimestre anterior, situando-se em 1,50%, o que poderá estar associado à especulação dos agentes económicos. No entanto, em termos homólogos, a variação foi de 10,78%. Entre as províncias com maior representatividade, destacam- se as províncias de Luanda, Malanje e Cabinda com variações de 1,64%, 1,53% e 1,44%, respectivamente.

Inflação de 15,75%

Em 2017, o Executivo definiu como objectivo uma taxa de inflação de 15,75%, sendo esta mais tarde revista para 22,9%. Segundo dados do INE, em Dezembro de 2017, a taxa de inflação atingiu 26,26%, um desvio de 10,51 p.p. face ao objectivo estabelecido. As classes de produtos que mais contribuíram para o desvio da taxa de inflação foram ‘Bens e Serviços Diversos’ (32,86 p.p.), ‘Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas’ (27,44 p.p.) e ‘Vestuário de Calçado’ (26,58 p.p.). Por outro lado, as classes que contribuíram para um menor desvio foram ‘Comunicações’, ‘Habitação e Electricidade’ e ‘Transportes’. Tal facto deveu-se essencialmente, assinala o BNA, à composição destas classes, dado que em grande maioria são constituídas por preços administrados que foram actualizados no ano anterior.