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Militantes da FNLA lutam na rua

O secretário da FnlA para os assuntos políticos foi agredido fisicamente, durante uma manifestação realizada ontem, Quarta 14, à porta da sede do secretariado nacional do bureau político do referido partido. Momentos depois o mesmo militante regressou com a polícia e insurgiu-se contra a equipa de reportagem do jornal opAíS

POR: Rila Berta

Alguns membros do bureau político e das organizações feminina e juvenil do partido FNLA juntaram-se à porta da sede daquela organização partidária, para literalmente “lavar a roupa suja na rua”, com a organização de uma manifestação, seguida de vigília aonde houve troca de “mimos”. Segundo o secretário nacional para ciência e tecnologia da FNLA a manifestação foi realizada com o objectivo de a direcção do partido afastar Pedro Mucombe Dala do cargo de secretário-geral e ficar em sua substituição João Capitão. João Bengue Vindo disse que a troca decidida pelo comité central do partido, não está a ser respeitada pela direcção do partido, por haver conivência da parte do presidente, Lucas Ngonda.

O militante que é membro do comité central e do bureau político acusou Pedro Dala de gerir mal o partido, cometendo desvios de fundo e favorecendo familiares para exercerem os melhores cargos no partido. Referiu que desde 2014 Pedro Dala tem estado a “mentir ao presidente do partido. Diz que o partido está a trabalhar, mas nós nem sequer sabemos quantos somos”, afirmou. Lamentou o modo como o partido vem perdendo os assentos no Parlamento, sendo que em 1992 a FNLA tinha cinco deputados na Assembleia Nacional, em 2008 o partido contava com três lugares no parlamento, em 2012 contavam- se dois deputados e na actual Legislatura o partido tem apenas um deputado, que é também presidente do partido, Lucas Ngonda.

“Quer dizer que estamos na linha vermelha, lamentou. João Bengue Vindo lembrou que ninguém no partido está acima dos estatutos, nem mesmo o presidente, por isso considerou que se deve respeitar a decisão do comité central, que durante o último congresso em que participaram 206 militantes, 138 assinaram um abaixo-assinado contra a permanência de Pedro Dala no cargo de secretário-geral da organização partidária. “O estatuto diz que o secretário-geral deve apresentar relatório de contas ao comité central e isto não tem acontecido, desde 2016”, justificou. Durante a manifestação, Kiako Kiala secretário da organização juvenil do partido disse que a juventude solidarizou-se com a decisão dos membros do comité central que destituíram o secretário-geral e por isso juntaram-se à manifestação com a intenção de que se cumpra com a referida decisão. Disse que será feita uma vigília por tempo indeterminado até que o presidente se manifeste e oriente o cumprimento da decisão do comité central.

Na ocasião, a secretária nacional adjunta, da Associação da Mulher Angolana (AMA), disse a OPÁIS que a organização está contra a gestão do secretário, então destituído. Teresa Gabriel justificou que as actividades das mulheres do partido têm sido reprovadas. Denunciou também que os subsídios, de 25 mil Kwanzas mensais, que deveriam ser atribuídos aos funcionários que trabalham na sede do partido, não são pagos há um ano. Afirmou que o partido não tem realizado actividades, garantindo, por isso, que desde as últimas eleições gerais não foram inscritos novos militantes. A responsável da AMA denunciou casos de nepotismo na gestão de Pedro Dala, como a introdução de quatro filhos do referido secretário que agora se responsabilizam pela área de protocolo do partido. Falou de casos de viaturas recebidas aos militantes e que foram entregues aos familiares do dirigente em causa. Joveth de Sousa, antigo porta- voz da FNLA, lamentou ter sido substituído de forma ilegal, pelo actual secretário, por Jerónimo Makana, que, explicou, não é membro do bureau político nem do comité central.

“É sobrinho do senhor Dala, o secretário destituído”, aclarou. Segundo Joveth Sousa, o mesmo sucede com Ângelo Vita Canga que, explicou, foi “catapultado” para secretário do partido para os assuntos políticos de modo ilegal, pois o estatuto do partido obriga a que os secretários sejam membros do comité central e do bureau político. Até ontem, OPAÍS apurou que todas as pessoas que labutam na sede da organização partidária, que estivessem a favor da permanência de Pedro Dala no secretariado- geral do partido, foram impedidas de trabalhar e de terem acesso às referidas instalações. O secretário-geral da FNLA acusado de permanecer no cargo à revelia recusou-se à prestar declarações a OPAÍS. Pedro Dala acusou este jornal de publicar apenas matérias que prejudicam o partido e de se dedicar à publicação de assuntos que considerou “insignificantes” sobre o partido e que, referiu, prejudicam o partido.

Secretário da FNlA ameaça jornal OPAÍS

OPAÍS presenciou os “irmãos” e Ângelo Canga em troca de “mimos” enquanto estes tentavam obrigá-lo de modo coercivo a entregar as chaves da viatura com a qual andava, por alegadamente se tratar de um património do partido. Após ter sido agredido pelos seus “irmãos”, na rua, à porta da sede do bureau político da FNLA, Ângelo Vita Canga, saiu e regressou minutos depois acompanhado por polícias. Tendo em seguida se insurgido contra a equipa do jornal OPAÍS que trabalhava no local, por sinal a convite do próprio partido. O secretário dos assuntos políticos proferiu ameaças contra a equipa de reportagem do PAÍS, alegando não haver autorização oficial da parte do partido para se reportar a “briga” que envolvia os militantes do mesmo partido na rua. Acusou o jornal de publicar apenas notícias contra o partido e de “nunca” responder positivamente aos convites para acompanhar as actividades daquela organização. Garantiu, com ânimos exaltados de que vai processar o jornal e que a equipa que ali trabalhou “sofrerá consequências”, por estar a cobrir uma acção que envolve um partido, eleito pelo povo com assento no parlamento que decidiu trocar “mimos” na rua. Acusou também o jornal de “agitar a manifestação” e de criar desentendimentos no seio do partido, com as matérias que publica.

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