Arte na gestão do silêncio

José Eduardo dos santos geriu magistralmente o seu silêncio nos últimos dias, quando o que fez correr rios de tinta foram convictas afirmações sobre sua ausência do Conselho da República por estar em Espanha e com regresso marcado apenas para Maio.

POR: José Kaliengue

Aliás, tirando os discursos públicos em reuniões do seu partido, da boca do antigo Presidente, praticamente nada mais se tem ouvido sobre a política nacional. E eis que ele aparece na primeira reunião do Conselho da República no papel que dele mais se espera: de conselheiro, com a experiência de mais de três décadas no poder. O único ex- Presidente angolano vivo. Aqui não vem ao caso a discussão sobre humildade e outros quejandos que de imediato emergiu nas redes sociais, é preciso manter o foco no que é importante: Constitucionalmente, Dos Santos é automaticamente conselheiro da República. Não apenas um direito, é também um dever para com a Pátria, e não se esperaria que ele faltasse à Pátria neste momento. Mas há gente que vai ter de emendar a mão, gente que jurou a pés juntos que ele faltaria à reunião. Gente que tem de entender e aprender a ler melhor os silêncios.