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Mais de 200 pessoas morrem de tuberculose na Huíla

Dados da Direcção Municipal da Saúde do Lubango dão conta da morte de pelo menos 279 pessoas no ano 2017, vítimas de Tuberculose

POR: João Katombela, na Huíla

Assina la-se, hoje, o Dia Mundial da Luta contra a Tuberculose e, sobre o assunto, a directora municipal da Saúde no Lubango, Fátima Barros, disse, ontem, durante o lançamento das actividades comemorativas, que esta doença continua a dizimar muita gente também na Huíla.No ano transacto foram diagnosticados pelas autoridades sanitárias, na província, 4016 casos de tuberculose, em pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 45 anos.

Deste número, 279 terminaram em óbito, sendo que o maior grupo contaminado são os com mais de 15 anos de idade, cuja percentagem é de 92. Na lista apresentada pela Direcção da Saúde, os municípios do Lubango, Caluquembe, Chibia e Matala são os que mais casos registaram. O controlo dos pacientes nestes municípios apenas tem sido possível graças a existência de unidades sanitárias públicas e privadas que tratam da doença. “Como deveis saber, o nosso país faz parte da lista dos 30 países com maior carga da Tuberculose, sendo que ela constitui a terceira causa no alto índice de mortalidade”, sublinhou. A alta taxa de letalidade e o abandono ao tratamento, bem como a existência de estirpes resistentes aos medicamentos e a multiplicação de factores negativos no seu controlo, fazem da Tuberculose (TB) em Angola uma doença grave e de impacto social e económico.

Só no Lubango, 110 crianças têm TB

O director clínico do Hospital Sanatório do Lubango, na província da Huíla, disse a OPAÍS que, nesta altura, encontram-se internados um total de 1224 pacientes. Lourenço Koutele disse que no município do Lubango existe ainda uma cifra de 110 crianças com Tuberculose, situação que deixa preocupado o sector sanitário da província. “Dos 1224 doentes em tratamento, 691 são bacilíferos activo, ou seja, aqueles que quando tossem conseguem transmitir a doença para mais 10 pessoas, e 607 têm BK negativo”, acrescentou. Há ainda o problema de as pessoas apenas acorrerem às unidades sanitárias quando a doença está em estado clínico avançado. Na cidade do Lubango, esta data de comemoração mundial é celebrada sob o lema “Líderes engajados para um mundo livre da Tuberculose”.

Apesar dos múltiplos avanços científicos, a TB no mundo continua a ser um grave problema, com crescente aumento de novos casos e mortes. O relatório de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS) refere que dos 6,1 milhões de novos casos de TB apenas 60% são notificados. Isto deve-se ao limitado acesso a rede de diagnóstico e à existência de amplas unidades privadas de saúde que não notificam. De acordo com o relatório, a Tuberculose no mundo está entre as 10 primeiras causas de morte, acima da mortalidade por Malária ou por SIDA. No nosso país, em 2017 foram notificados um total de 57.877 casos de TB de todas as formas. Destes casos, 32.990 foram do sexo masculino e 24.887 do sexo feminino.

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