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Desmaios afugentam crentes da paróquia Santa Madalena

Todas as semanas são registados entre cinco a dez casos de desmaios de meninas com idades compreendidas entres os 15 e os 18 anos de idade

Texto de: Domingos Bento

A paróquia Santa Madalena, no município do Cazenga, em Luanda, regista, todos os Domingos, entre cinco a dez casos de desmaios durante as suas missas dominicais. As vítimas, segundo o padre Domingos, são sempre meninas dos 15 aos 18 anos de idade que acabam desfalecidas por mais de uma hora.

De acordo com o pároco, a igreja vive esse problema desde 2014 e, cada vez mais, regista-se um aumento nos casos. Só no ano passado, frisou, ocorreram acima de 100 casos de desmaios registados, situação que vem preocupando não só os responsáveis da igreja como a comunidade religiosa que vive chocada com as ocorrências.

Devido a esse surto, segundo o padre Domingos, muitos pais proibiriram os seus filhos, sobretudo as meninas, de frequentarem a igreja, temendo que algo pior aconteça. Em consequência desse quadro, o pároco receia que o espaço religioso venha a ficar às mocas porque a maior parte das pessoas que abarrotam a igreja são do sexo feminino.

Para além das missas dominicais, o pároco ressaltou ainda que os casos de desmaios são igualmente registados, designadamente no decurso das sessões de catequese, nas missas campais e nas reuniões dos escuteiros.

E, em todas essas actividades, são sempre as mulheres as únicas que acabam desmaiando. “É uma situação muito estanha. Todos admiramos o que tem acontecido aqui na nossa comunidade. É que começa sempre com um caso e depois as outras meninas vão seguindo até um número elevado. Há dias que chegamos a ter até 15 casos. É muito difícil para nós, mas estamos a tentar fazer tudo para que essa onda de desmaios termine”, explicou.

Padre Domingos esclareceu ainda que, por razões preventivas, quando os casos acontecem, as meninas são encaminhadas a um centro médico onde são diagnosticadas e internadas, por algumas horas, para apurar eventuais problemas colaterais de saúde. “Das análises já feitas não acusou nada. Depois dos desmaios, elas acordam cansadas e com ligeiras dores de cabeça.

Mas são normalmente bem tratadas porque temos feito tudo no sentido de evitar o pior”. Já averiguado De acordo ainda com o líder religioso, face aos inumerosos casos de desmaios, no ano passado, uma delegação da Saúde local visitou a paróquia visando apurar as reais causas do surto. No entanto, não foi possível apurar nada, tanto na paróquia nem com as vítimas, um facto que dá lugar a uma série de questionamentos e de indignação entre a comunidade religiosa. “É complicado quando se luta por algo que a gente não sabe. É que ninguém de nós sabe dizer por que que as nossas jovens desmaiam. Não sabemos qual é o verdadeiro mistério por detrás destas ocorrências”, lamentou.

Velho problema

Os casos de desmaios colectivos, em Luanda, não constituem novidade. Essas ocorrências registam- se desde 2010 sobretudo em estabelecimentos escolares públicos. Esta situação levou, em 2011, à criação, por Despacho Presidencial, de uma Comissão Multissectorial para avaliar o fenómeno. A referida Comissão, constituída por vários órgãos ministeriais, como o Interior, Educação, Saúde, Ambiente, Acção Social e Comunicação Social, tem como objectivo avaliar o fenómeno e conceber os mecanismos para a normalização da situação, dar tratamento apropriado às matérias relacionadas com essas ocorrências e desenvolver acções céleres de esclarecimento e de instrução.

Passados sete anos, o fenómeno continua a causar vítimas, sendo que até ao momento não foi apontada uma causa dessas ocorrências, embora o psiquiatra Jaime Sampaio tenha dito a OPAÍS, na edição de ontem, tratar-se de uma resposta a traumas. Enquanto isso, muitos estabelecimentos de ensino continuam a registar casos de desmaios colectivos entre alunos, sobretudo do sexo feminino.

 

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