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Ritmo de João Lourenço surpreende meios petrolíferos internacionais

A cadência a que o Presidente João Lourenço vem introduzido reformas surpreende a consultora global especializada na área da energia Wood Mackenzie, que no seu último relatório sobre Angola acentua o declínio da produção e os esforços das autoridades para inverter a situação

Texto de: Luís Faria

Com as reformas iniciadas os investimentos poderão voltar ao sector petrolífero e a atitude ‘mais proactiva’ da Sonangol poderá atrai-los, embora o relatório da consultora, a que OPAÍS teve acesso, não deixe de notar que a administração da petrolífera inclui ‘velhos rostos’.

A Wood Mackenzie dá a sua perspectiva de relance do quadro actual da economia angolana num documento intitulado ‘Angola research trip: key takeaways’, assinalando que apesar de os preços do petróleo estarem mais elevados aquela ainda se confronta com dificuldades. Constata a quebra nas reservas internacionais, defende uma maior desvalorização do kwanza, sendo que haverá que fazer a gestão do impacto social da opção e classifica como ‘passos positivos ‘a liberalização da imprensa, a flutuação cambial e a colocação do foco no relançamento da produção petrolífera.

Relançar a produção petrolífera

A revisão do quadro fiscal e as reformas sectoriais poderão desbloquear o desenvolvimento de campos petrolíferos satélites, detectando, os autores do documento, duas diferentes atitudes estratégicas das companhias petrolíferas face ao novo contexto: enquanto umas planificam novos investimentos, outras, mais cautelosas, aguardam que nova legislação seja publicada.

O relatório avisa que as previsões governamentais para a produção poderão ser comprometidas se os novos desenvolvimentos que se esperam no plano da pesquisa, exploração e produção se limitarem à implementação de projectos de pequena escala. A produção dos campos em operação irá continuar a declinar, em linha com o que vem acontecendo desde 2016 e a produção total só não cairá este ano e no próximo devido à entrada em operação do Projecto Kaombo, da Total. Mas se a partir de 2020 não forem postos em marcha novo projectos é inevitável que a produção nacional de crude diminua muito significativamente até 2023.

O relatório refere que, embora o ministro das Finanças já tenha afirmado estar a contar com 12 novo projectos nos blocos 14,15, 16, 17, 31 e 32 não foi nenhum aprovado até à data. O documento lembra ainda que estão previstas novas rondas de licitações, incluindo a Bacia do Namibe, no Sul do país.

‘O reinício da exploração será a chave para o crescimento da produção a longo prazo’, refere o documento. No plano do gás natural a Wood Mackenzie considera que a lei prevista para o sector será crucial para o desenvolvimento de novas fontes como as localizadas na Bacia do Kwanza. A nova lei será publicada em Abril, soube OPAÍS.

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