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Empresários de Benguela “doam” mais de 200 milhões de kwanzas para “remendar” estradas

Mais de 13 empresários conjugam esforços financeiros para intervencionar a via Serpa Pinto, destinada ao tráfego pesados, dada à falta de dinheiro com que se debate Governo de Benguela, soube OPAÍS de fontes do Governo local

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

A acção surge na sequência de um pedido feito pelo governador provincial, Rui Falcão, à classe empresarial, durante uma reunião no princípio do mês, em que o governante apresentou o estado actual das vias secundárias e terciárias, sendo um troço da Serpa Pinto o que mais atenção merece, por lá transitarem camiões vindos do Norte ao Sul e vice-versa, transportando mercadorias, segundo o empresário Carlos Cardoso.

“Fomos convidados para sermos parceiros do Governo nesta empreitada”, assegurou, enaltecendo, por outro lado, a abertura do timoneiro do palácio cor-de-rosa em reconhecer que, fruto das actuais limitações financeiras, o seu Executivo não daria resposta à questão. “É de louvar a humildade do senhor governador de Benguela, Dr. Rui Falcão”, revelou o empresário.

De acordo com fonte institucional, embora o Orçamento tenha sido já aprovado, a província de Benguela, à semelhança das demais, do ponto de vista prático, ainda não recebeu cabimentação orçamental para executar despesas públicas, razão por que a região vê agravada a sua situação social, caracterizada por um débil saneamento (um assunto que O PAÍS deverá abordar com mais profundidade nas suas próximas edições), estradas esburacadas, falta de medicamentos em unidades sanitárias, além de outros tipos de carências.

A mesma fonte adianta que as receitas de que agora o Executivo de Rui Falcão dispõe servem apenas para as despesas correntes, ou se-ja, pagamentos de salários e compra de consumíveis, quando a província, contrariamente ao exercício económico passado, em que contava com cerca de 91 mil milhões de kwanzas, tem, para o presente ano, um orçamento estimado em 80 mil milhões de kwanzas, 64 mil milhões dos quais destinados ao pagamento de salários, prevendo, de modo geral, um crescimento dos sectores da Saúde e Educação, como fruto dos concursos públicos ocorridos nos respectivos sectores, avançou a OPAÍS uma fonte da Delegação Provincial das Finanças.

Os trabalhos paliativos na Serpa Pinto

A intervenção no troço Serpa Pinto, que passa pela escola da ex-Liga, destinada a automóveis pesados, deixa a sociedade civil dividida. Por um lado, há quem louve a iniciativa por garantir o desafogamento da via 10 de Fevereiro, passando pelo Comando Municipal; por outro, há quem preferisse trabalhos mais profundos, consubstanciados na abertura de canais de escoamento das águas pluviais.

O cidadão Edson Magalhães, que vive nas redondezas, é céptico em relação ao trabalho que se faz, justificando que, por serem trabalhados meramente paliativos, quando houver chuva – considerada já o melhor fiscal das autoridades locais – a via regressa ao seu estado normal. “Isso não adianta nada. Este é o segundo entulho que põe (referindo-se a outras intervenções já feitas).

Daqui a nada, os camiões vão passar e é poeira de novo e nós, os moradores, sofremos. Não era melhor asfaltar de novo?”, questiona o cidadão, incrédulo, à nossa reportagem no local. Já Adérito João Sebastião Mateus, outro morador, adverte que intervenções desta natureza não são as mais ideais. “Porque esta é uma estrada internacional.

Os camiões que saem da África-do-Sul e da Namíbia passam por aqui. E, quando a chuva cair a estrada voltará a ter buracos”, pontualiza o cidadão.

O empresário Carlos Cardoso refuta a ideia dos nossos interlocutores, argumentando que a empreitada que está a ser feita vai impedir que no futuro, e ainda que chova, haja lamaçal como acontecia. No local, foi visível o empenho de homens e máquinas no trabalho de terra planagem, porque para asfaltar a via, com quase 6 quilómetros, os empresários precisariam acima de 200 milhões de kwanzas, o valor que está a ser investido na obra, segundo se constou a este jornal.

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