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Zenú revela não ter sido notificado sobre as medidas de coação

José Filomeno dos Santos entregou os passaportes à PGR e está sob termo de identidade de residência (TIR)

Texto de: Norberto Sateco

O ex-presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano, José Filomeno dos Santos, tornado arguido pela Procuradoria- Geral da República (PGR) esta Segunda-feira, 26, manifestou- se surpreendido pelo facto de não ter sido notificado sobre as medidas de coação divulgadas recentemente por aquela instância judicial.

Numa nota de imprensa tornada pública esta Terça-feira, o filho do antigo Presidente de Angola refere que há 20 dias que foi ouvido pela PGR, mas que não lhe terá sido passada nenhuma notificação de coação.

Entretanto, segundo o mesmo comunicado, decidiu, de forma voluntária, contactar a PGR onde entregou, na tarde desta Terça- feira, 27, os passaportes e assinou o Termo de Identidade e Residência, na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), afecta à Procuradoria- Geral da República, em

cumprimento ao despacho de indiciação. “Mantenho a total disponibilidade de continuar a cooperar com a Procuradoria-Geral da República para a resolução plena e satisfatória deste processo, como, de resto tem vindo a suceder desde o dia 27 de Fevereiro”, refere no comunicado de imprensa. Neste mesmo do documento tornado público, reafirma a sua vontade de colaborar para a descoberta da verdade material dos factos, contribuindo assim para o esclarecimento deste caso.

Uma decisão vista pelos magistrados do Ministério Público como sendo digna de realce, na medida em que os arguidos têm obrigação de ajudar a justiça na descoberta da verdade material.

Zenú dos Santos faz parte de um processo em que é indiciado em crimes de associação de malfeitores, branqueamento de capitais, burla e defraudação resultante da uma alegada transferência de 500 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola para uma sucursal britânica do Crédit Suisse.

Para o subprocurador-geral da República, este caso poderá ser levado até às ultimas consequências, crime para para o qual a amnistia não é colocalada em causa, “devido à especificidade do crime ao qual estão indiciados”. “Vamos levar estes casos até às últimas consequências.

É muito dinheiro, que acaba por mexer com a tampa de todos nós”, disse o responsável da instrução do processo deste caso, Luís Ferreira Zanga. Para além de José Filomeno dos Santos (Zenú), fazem também parte da lista de individualidades tornadas arguidas o exgovernador do Banco Nacional de Angola, Válter Filipe Duarte, Jorge Gaudens Pedro Sebastião, António Samalia Bula Manuel e João Domingos dos Santos Ebo.

A Direcção Nacional de Investigação de Acção Penal garante que as diligências vão continuar num processo que já ouviu 9 declarantes, dentre 14.

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