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Benguela ‘afoga-se’ no lixo da crise

O Governo de Benguela anunciou, por via do Gabinete Provincial do Ambiente e Gestão de Resíduos Sólidos, que vai deixar de trabalhar com as empresas de recolha de resíduos sólidos, passando a actividade para a alçada das administrações municipais

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

A província de Benguela vive uma crise de saneamento básico nunca antes vista. A falta de regularidade na recolha de resíduos sólidos, fruto da dívida do Governo para com as operadoras, na ordem dos 16 mil milhões de kwanzas, é apontada como causa do actual quadro. As quatro cidades do litoral de Benguela (Benguela, Lobito, Baia- Farta e Catumbela) registam um amontoado de lixo bastante significativo, facto que preocupa os munícipes que pedem a definição de estratégias para se inverter o quadro, temendo contrair doenças decorrentes do débil saneamento básico.

Para o presente exercício económico, soube OPAÍS, Benguela deverá, do ponto de vista nominal, contar com um orçamento de 80 mil milhões de kwanzas e prevê, já para os próximos dias, a presentação pública do mesmo. Para as despesas pontuais, a província recebeu, no princípio do ano, segundo uma fonte, uma parcela orçamental do Governo Central na ordem dos 16 mil milhões de kwanzas, mas este valor ficou muito aquém do desejado. Neste momento, de acordo com fontes, o Governo provincial ainda não está a executar orçamento, por falta de cabimentação. Face ao cenário vigente, um grupo de empresários decidiu convergir esforços financeiros, auxiliando- o na limpeza de algumas zonas para atenuar a situação. “Nós, empresários, temos de andar de mãos dadas com o Governo. Não é só nos momentos bons que devemos estar com o Executivo”, adverte o empresário Carlos Cardoso.

Para quem tem o lixo praticamente à porta de casa, não tem sido fácil conviver com ratos, baratas e minhocas, além de outro insectos, e aguarda pelo dia em que, de facto, Benguela voltará a ser aquela cidade que, historicamente, é tida como “cidade mãe de cidades”, pois está irreconhecível. “Dá medo o lixo aqui”, adianta à reportagem de O PAÍS o munícipe Manuel Artur. O Governo de Benguela anunciou, por via do Gabinete Provincial do Ambiente e Gestão de Resíduos Sólidos, que vai deixar de trabalhar com as empresas de recolha de resíduos sólidos, passando a actividade para alçada das administrações municipais.

Manuel Artur louva a iniciativa, mas está céptico quanto ao sucesso do projecto, porque, no seu ponto de vista, as administrações não terão capacidade para fazer face ao problema. Por outro lado, espera que, antes de quaisquer acções executivas, que se recolha pelo menos o amontoado de lixo que se encontra perto da sua casa, no bairro do Kambanda. Já Raúl Sousa, um outro munícipe de Benguela, salienta que a recolha de resíduos sólidos no seu bairro, na Kamunda, acontece apenas uma vez por mês, por essa razão é que se criou um amontoado de lixo na parte traseira do cemitério da Kamunda. “Por vezes, quando a máquina da Administração chega, só empurra o lixo”, contou, criticando a gestão de Benguela. “As coisas parece que pioraram, o governo não está a trabalhar bem”, remata.

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