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Homens raros

Há sempre pessoas capazes de estabelecer pontes, de dialogar, de buscar consensos. Não o serão, eventualmente, ao longo de toda a vida, mas basta que o sejam nos momentos cruciais.

POR: José Kaliengue

O mundo, no entanto, sábio, vai-nos brindando também, como que por salpicos aqui e acolá e num momento ou noutro, com pessoas que conseguem marcar aqueles com quem se cruzam. São, normalmente, pessoas dedicadas, empenhadas, que se doam a uma causa e se doam aos outros. Temos angolanos assim, felizmente. Almerindo Jaka Jamba, ontem falecido, constituiu-se como prova de uma intelectualidade capaz de romper as mais insanas barreiras, como as da guerra, conquistando no outro lado da barricada o respeito pelo homem, pelo valor da sua humanidade e das suas capacidades. Angola tem tido filhos assim. Talvez por isso grite mais alto ao questionar as razões por que andámos a nos matar uns aos outros, por que se enterrou tanta gente válida. Ter da direcção do MPLA um comunicado de consternação com a morte de Jaka Jamba no dia em que ela ocorreu, era, seguramente, coisa pouco espectável há pouco tempo. Mas é sinal de que o país mudou. Jaka Jamba foi um dos melhores actores dessa mudança.

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