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Jornalista ameaçado de morte por denunciar poluição sonora

Apesar de não avançar mais dados sobre o processo, o comandante da Polícia Nacional no Lubango, Paulo Jorge, garante que o seu efectivo está a trabalhar afincadamente para repor a tranquilidade na zona, a fim de que a vida do jornalista e da sua família volte à normalidade.

O jornalista João Katumbela, correspondente do jornal OPAÍS na Huila, e os seus familiares foram ameaçados de morte por um grupo de presumíveis marginais do bairro Nambambe, arredores da cidade do Lubango, na noite de Sábado. Os acusados vandalizaram a sua residência, arrancando parte do tecto e uma das portas, mas não se apropriaram de qualquer bem material. Para evitar o pior, o jornalista e família a retiraram-se para a casa de um familiar, distante do seu bairro, e os seus filhos e sobrinhos em idade escolar juntaram-se às milhares de crianças que se encontram fora da escola nesta parcela do território nacional “Tenho um filho que ficou traumatizado” Justificou que se sente inseguro pelo facto de um dos autores da arruça ser apontado como o principal suspeito da onda de incendios que ocorreu no ano passado no mesmo bairro.

“Dai a razão que me levou a evacuar a família”, disse. A vítima foi abordada, no passado Sábado, no momento em que regressava do seu posto de trabalho para casa, por um grupo de indivíduos que se encontravam a conviver, numa das ruas do bairro Nambambe, provocando poluição sonora. “Das vezes que isso aconteceu, fui alertá-los de forma pacífica, mas, infelizmente, não me davam ouvidos, e quando o fizeram partiram logo para a agressão”, frisou. Justamente no dia em que João Katombela decidiu não lhes perdir que diminuíssem o som da aparelhagem, embora se tratasse de um período de descanso, apareceu no local um grupo de efectivos da Polícia Nacional que repôs a ordem e a tranquilidade. Entretanto, tal facto acabou por meter o jornalista numa embrulhada, pós os convivas julgam ter sido ele quem os denunciou à Polícia.

“Partiram para a agressão. Entraram em minha casa e ameaçaram atear fogo”, disse. Aflito, o jornalista denunciou a ocorrência às forças da Ordem Pública, que detiveram alguns dos supostos infractores. Na manhã seguinte estes foram soltos e instalou- se um clima de tensão entre os vizinhos. Na Terça-feira, segundo ele, seis dos mais de dez presumíveis marginais voltaram à sua casa, na calada da noite, e proferiram diversas ameaças contra a sua pessoa.“Suspeito que essa perseguição terá sido agudizada por uma reportagem que fiz no ano passado, sobre um homicídio que ocorreu no bairro, acompanhando os efectivos da Polícia. Um deles viu-me lá”, frisou. Acrescentou de seguida que o suposto marginal que o viu acusou- o de ser informante da Polícia e “ameaçou matar a mim e a minha família”.

Polícia promete repor a Ordem

O comandante municipal da Polícia Nacional no Lubango, Paulo Jorge, confirmou que uma das suas equipas se deslocou por volta das 22 horas ao local onde decorria a festa, em que o nível da música perturbava a vizinhança. Mas quando as forças da ordem chegaram ao local já reinava o silêncio, pelo facto de te se registo um corte no fornecimento de energia. “Mesmo assim mobilizamos e sensibilizamos os jovens que fizeram a poluição sonora e prometeram que não voltariam a fazê-lo. Ao sairmos, o Katombela contactou- nos dizendo que sofria ameaças”, disse. A Polícia voltou ao local e levou consigo o organizador da festa e os seus ajudantes e os cadastrou. “Sensibilizaram-lhe que não deviam fazer nada e que qualquer ameaça constitui um crime. Só que, infelizmente, assim que saímos, o Katombela voltou a ser ameaçado e nós o aconselhamos a instaurar um processo-crime”, disse. Apesar de não avançar mais dados sobre o processo, Paulo Jorge garantiu que estão a trabalhar afincadamente para repor a tranquilidade na zona, para que a vida da sua família volte ao normal.

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