Editorial: Malanje

A comunicação social deu pouca importância. Fez mal. É verdade que os jornalistas estavam concentrados noutro local, mas isto não anula o acontecimento. Deu-se mesmo uma manifestação em Malanje no Dia da Paz, enquanto o vice-presidente discursava no Pavilhão Palanca Negra. Não adianta tapar o sol com a peneira, fingir que não aconteceu, o ideal é habituarmo- nos a este fenómeno e dar-lhe o valor que tiver. Coisas destas se irão repetir, é assim a democracia.Uma manifestação, por muito ruidosa que seja, não substitui nem o Estado, nem a democracia. O ruído de quem se manifesta nem sempre é a expressão do sentimento popular ao ponto de representar toda uma comunidade, uma província ou um país. Há que avaliar os interesses em causa apenas, mas nunca fingir que não aconteceu. Aliás, Malanje, com que governador ficou satisfeita alguma vez?