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Lula ‘bem’, mas ‘indignado’ na prisão, enquanto militância inicia vigília

O ex-Presidente Lula está “bem, embora indignado” após passar a sua primeira noite preso, enquanto os seus partidários anunciaram este Domingo a realizarão de uma “vigília permanente” frente ao presídio em Curitiba

O objectivo da militância é manter a pressão, apostando numa rápida mudança de jurisprudência que permita soltá-lo. “Ele está bem, embora indignado com a situação”, declarou Cristiano Zanin, advogado de Lula, num vídeo publicado no Facebook depois de visitá-lo na prisão.

Após realizar um grande acto declarando a sua inocência e a “injustiça” à que estava a ser submetido, frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, onde ficou entrincheirado durante dois dias antes do seu mandado de prisão, Lula, de 72 anos, entregou-se na tarde de Sábado à Polícia. E depois de ser conduzido, de avião, para Curitiba, à noite, de helicóptero, chegou à sede da PF onde começou a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Lula é o primeiro ex-Presidente (2003-2010) do Brasil preso por um delito comum. A sua chegada causou grande comoção na cidade, com distúrbios à mistura entre os seus simpatizantes e os agentes que guarneciam a sede da Polícia Federal onde se encontra a cela de Lula.

“Curitiba será o centro da nos-sa acção política. Só sairemos daqui quando Lula sair. Essa vigília é permanente”, afirmou, Sábado à noite, a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, à uma multidão de simpatizantes pouco após a Polícia ter lançado gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os seus partidários.

“[Lula] não é um preso comum, é um preso político com grande liderança nacional. É o primeiro preso político depois da reabertura democrática”, afirmou Hoffmann na tarde de Domingo num acto diante de dezenas de militantes frente à sede policial.

Christopher Ferreira, um estudante de 21 anos, passou a noite no acampamento montado ao lado do cerco policial, equipado com barracas e colchões insufláveis. “Passamos a noite aqui em resistência junto com todos os companheiros que estão a prestar solidariedade ao presidente Lula”, explicou Ferreira à AFP na manhã de Domingo.

O ex-Presidente está recluso numa cela de 15 metros quadrados com banheiro privativo e uma televisão, onde provavelmente assistiu, na tarde de Domingo, à final paulistana que o seu querido Corinthians ganhou ao Palmeiras (1-0).

“Obrigado, Timão”, dizia uma mensagem postada na sua conta de Twitter após o jogo, com uma fotografia antiga de Lula segurando uma bandeira do clube. Lula recebeu demonstrações de apoio dos governos de Cuba e Venezuela e do líder da esquerda radical francesa Jean-Luc Melenchon. Poderia ser solto?

Na próxima Quarta-feira (11), o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia incluir na sua agenda um debate sobre o assunto-chave: a partir de que momento um condenado pode começar a cumprir a sua pena de prisão.

De acordo com a jurisprudência actual, isso é possível a partir de uma decisão em segunda instância, como a feita em Janeiro por um tribunal de recursos contra Lula.

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