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Professores em Benguela divididos em relação a adesão

Os professores em Benguela estão divididos em relação a adesão à greve decretada pelo Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF). Os que não aderiram argumentam que a acção sindical lesa o programa lectivo desenhado pelo Ministério da Educação

Texto de: Constantino Eduardo, em Benguela

De um lado estão aqueles que aderiram à paralisação das aulas, por outro lado os que preferiram não abraçar a iniciativa sindical, entendendo que compromete o ano lectivo, a julgar pelo facto de os exames escolares estarem praticamente às portas e que, para tal, os alunos precisam de preparação, por via da consolidação das matérias leccionadas.

Entretanto, os aderentes acusam os seus colegas de serem “medricas”, uma vez que o desejo do SINPROF é ver os problemas dos professores – independente de ser ou não filiado – resolvidos. Nas escolas 10 de Fevereiro, Comandante Kassanje, Colégio das Madres (escola comparticipada), Ex-Liga, para citar apenas estas, a equipa de reportagem de OPAÍS constatou uma adesão considerável de professores à greve.

Os alunos, preocupados com tal cenário, pedem ao Ministério da Educação a definição de estratégia para que no final do ano lectivo eles não venham a ser prejudicados, já que a greve pode durar três semanas. “Nós entendemos que os professores têm direito, mas estamos a ficar prejudicados com isso, ficamos atrasados na matéria”, lamenta a aluna Josana Analtide à reportagem de OPAÍS.

Na escola Luís Gomes Sambo, por exemplo, a sua directora, Teresinha Ernesto, louvou o gesto dos professores de não aderirem à greve, de maneira a não comprometer o ano lectivo. Sem pressão nem ameaça, garante a responsável, os professores decidiram não aderir à greve convocada pelo sindicato. “Talvez a acção se devesse ao facto de, muito recentemente, o Ministério ter pedido os seus documentos para a actualização de categorias e muitos estão à espera”, supôs.

Por outro lado, os professores das escolas Comandante Kassanje e 10 de Fevereiro, aderentes à greve, sublinham que o gesto visa pressionar a entidade empregadora a atender aos pontos constantes no Caderno Reivindicativo do SINPROF, visando a melhoria das condições salariais dos professores.

“Nós aderimos à greve por uma causa justa, porque quando se resolver o problema não será apenas para os filiados do SINPROF, mas para todos”, sublinhou um deles. Teresa Ngueve, professora há 30 anos, lamenta o facto de o Ministério da Educação não ter respondido às reivindicações, actualizando as categorias. “Eu sou professora há muito tempo e ganho 80 mil, que não chega para nada”, disse.

A greve surge três dias depois de o responsável provincial do SINPROF, Armindo Cambelele, ter sido encontrado morto num dos comportamentos de sua residência, onde vivia com uma neta. Segundo fontes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que se socorrem de resultados da autópsia, foi encontrado no corpo do malogrado uma substancia tóxica ainda não identificada e se presume que seja a causa da morte. A mesma fonte adianta que o SIC está a investigar o caso.

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