angola exporta menos crude e trocas comerciais com a China recuam

Em Fevereiro, as trocas comerciais entre Angola e a China retraíram-se como resultado da quebra no volume de exportações de petróleo para a potência asiática, continuando, no entanto, a crescer o comércio entre os dois países quando se compara o valor apurado nos dois primeiros meses do ano com o registado em igual período de 2017

Texto: Luís Faria

As trocas comerciais entre Angola e China registaram um recuo de 12,57% em Fevereiro deste ano, de acordo com os serviços alfandegários do país do Oriente citados pelo Fórum Macau. A quebra ficou a dever-se à diminuição em 17,05% das importações que Pequim faz de Luanda, na quase totalidade petróleo bruto, no segundo mês do ano, apesar de o preço do crude exportado por Angola em Fevereiro tenha atingido um valor que já não era superado desde o final de 2014.

Assim, a redução no valor das exportações angolanas que têm como destino a China decorreram claramente do menor volume de exportação. Com efeito  este atingiu um mínimo de vários anos.

O relatório mensal divulgado esta Quarta-feira pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) confirma que as exportações de petróleo bruto angolano para a China registaram um recuo significativo em Fevereiro face a Janeiro, embora Angola mantenha a posição de terceiro fornecedor de crude à economia asiática.

De acordo com os serviços das alfândegas chinesas, Angola exportou em Fevereiro para a China produtos no valor de USD 1,91 mil milhões, tendo importado da potência asiática bens no valor de USD 236,1 milhões, mais 55,82% que no mês anterior. No conjunto, no segundo mês do ano, o comércio entre Angola e a China cifrou-se em USD 2,15 mil milhões.

De referir que as trocas comerciais entre a China e os 8 países de língua portuguesa referenciados pelo Fórum Macau sofreram uma redução em Fevereiro (menos 4,64%), sendo que até o valor das transacções entre a potência asiática e o seu principal parceiro naquele universo de países, o Brasil, registou um recuo de 0,32%.

Já considerando os dois primeiros meses do ano, as trocas comerciais entre Angola e China registaram um acréscimo de quase 40% na comparação homóloga, isto é, com igual período de 2017, com as exportações angolanas a crescerem 30,7% e as importações que chegam a Luanda provenientes de Pequim a aumentarem 53,78%. Deste modo, as trocas comerciais entre os dois países atingiram um valor de USD 4,61 mil milhões, com as exportações destinadas à China a atingirem USD 4,23 mil milhões e as compras efectuadas a Pequim a cifrarem-se em USD 380,8 milhões.

Comércio com CPLP aumenta

Nos dois primeiros meses deste ano, as importações da China por parte dos países cuja língua oficial é o português, registaram um aumento de 34,76% na comparação homóloga, enquanto as exportações chinesas para aqueles países foram de USD 6,54 mil milhões, o que traduz um aumento homólogo de 43,44%.

Angola é o segundo parceiro comercial da China entre os países de língua portuguesa. O primeiro, o Brasil, registou, nos dois primeiros meses de 2018, trocas comerciais de USD 14,49 mil milhões, tendo Pequim comprado a Brasília bens no valor de USD 9,16 mil milhões e vendido mercadorias avaliadas em USD 5,32 mil milhões.

Portugal, o terceiro parceiro comercial da China entre os países de língua portuguesa, importou da China, nos dois primeiros meses deste ano, bens no valor de USD 586,4 milhões e expediu para Pequim mercadorias avaliadas em USD 341,9 milhões.