médica afirma que campanha de vacinação é para pobres

Um grupo de vacinadores do município de Talatona foi proibido de imunizar as crianças de uma creche, no Condomínio Cajueiro, porque a médica pediatra disse que a campanha ‘é para pobres’. A Delegação Provincial da Saúde criou uma equipa multidisciplinar para resolver o problema

A coordenadora do Programa Nacional de Vacinação, Felismina Neto, denunciou que uma médica pediatra da creche no Condomínio Cajueiro, em Talatona, impediu que os vacinadores administrassem a imunização contra a pólio, rubéola e sarampo às crianças daquela instituição, alegando que “a campanha de vacinação é para os pobres”.

Felismina Neto, que falava à rádio LAC, disse que não vão aceitar que os vacinadores sejam impossibilitados de fazer o seu trabalho, nem que as crianças fiquem sem a vacina, que é um direito que lhe assiste. “As vacinas de prevenção não têm raça, nem status social, portanto, é uma obrigação dexar-se vacinar”, disse.

Ainda no fecho da edição do jornal OPAÍS, Felismina Neto foi contactada e sobre o mesmo assunto disse que algumas médicas pediatras estão a contra-indicar a vacina por questões relacionadas ao dinheiro. Isto é, como a Delegação Provincial da Saúde disponibiliza a vacina gratuitamente e nas clínicas privadas são cobradas, muitas destas técnicas não querem que “os seus clientes” façam a vacina em campanhas promovidas pelo Ministério.

Esta situação, que foi registada no Condomínio Cajueiro, em Talatona, onde a pediatra pertencente, e a creche daquela zona residencial impossibilitou a entrada do grupo de vacinadores, já está a ser tratada pela Direcção Provincial da Saúde.

A coordenadora do Programa Nacional de Vacinação garantiu ter enviado ao condomínio uma equipa multidisciplinar composta pela directora municipal da Saúde, inspecção-geral e, inclusive, a Polícia. Prometeu, por outro lado, pronunciar-se com maior propriedade, hoje, depois de lhe ser entregue o relatório. Lamenta o facto de se registar casos como este e fez recordar que houve uma situação do género na campanha contra a febre-amarela, em que uma senhora grávida foi contra-indicada a vacinar-se e, infelizmente, foi picada pelo mosquito e contraiu a doença.

A senhora, a desfalecer, não parava de falar o nome da doutora que a proibiu de apanhar a vacina contra a febre-amarela. Importa realçar que Luanda apresenta sete casos positivos de sarampo, que, devido à sua alta transmissibilidade da doença, estão a ser devidamente acompanhados pelo Ministério da Saúde, segundo aquela responsável.