Cidadãos do Leste marcham contra AS Assimetrias

Sob o lema “apoiamos o combate às assimetrias regionais”, serão realizadas hoje, Domingo, 15, pelas 13 horas, três manifestações em simultâneo, nas províncias da Lunda- Norte, Lunda- Sul e Moxico

POR: Rila Berta

Um grupo de activistas pertencentes ao movimento cívico “Akwa Mana” decidiu unir a população das províncias à Leste do país, para em simultâneo reivindicar a favor da melhoria de condições de vida de quem ali habita. Em entrevista exclusiva a OPAÍS, Guilherme Martins, membro do movimento, explicou que o objectivo da marcha é agradecer a iniciativa do Presidente da República, João Lourenço, por ter realizado pela primeira vez, em 42 anos de independência, uma reunião com os governadores das três províncias da região e da Comissão Económica do Conselho de ministros, na Lunda-Norte, em Fevereiro último, e para reclamar contra a assimetria entre as províncias situadas a Leste do país e as demais. “É primeira vez que o Governo angolano se reúne no Leste para constatar in loco aquilo que passam as populações”, disse.

“São factos visíveis, tirando os anos anteriores ao alcance da paz, que se justificavam porque o país estava em guerra, a região Leste quase não conheceu nenhum desenvolvimento”, asseverou ainda, Guilherme Martins, membro da organização. Guilherme Martins sublinhou também que nas províncias das Lundas, Norte e Sul, e do Moxico, a população sente a falta de assistência médica condigna. Explicou que as populações não têm condições habitacionais, porque grande parte vive em casas de pau a pique. Reclamou da degradação das estradas, citou inclusive troços que ligam municípios que ficaram intransitáveis, como a via Saurimo-Dala. Solicitou, de igual modo, a industrialização da região bem como a sua electrificação. “As províncias do Leste não têm hospitais provinciais, têm apenas restos de postos médicos que o colono tinha construído para o diminuído número de pessoas que ali viviam e como se isto não bastasse, essas unidades não prestam serviços especializados, como cardiologia, hemodiálise, bem como determinados exames”, disse .

Recomendações da reunião do Dundo vão ao encontro às reivindicações

O activista referiu que por conta de uma série de dificuldades, como as mencionadas, levaram a que as populações da referida região começassem a manifestar, por escrito, o seu descontentamento e a exigir alguma atenção por parte do Executivo. Assim, Guilherme Martins contou que em 2016, a organização escreveu para o governo Central, por intermédio do então ministro da Administração do Território, actual vice-presidente da República, Bornito de Sousa, a reclamar contra as condições de vida da população. “Não houve resposta”. Em 2017, por altura da campanha eleitoral, contou, voltaram a escrever para o governo central, desta vez, por intermediário do candidato do MPLA para as eleições, o actual Presidente da República, João Lourenço sem que, de igual modo houvesse resposta. “Daí que os intelectuais ou sábios da região olhando para o clamor das populações, decidiram elaborar uma exposição datada de 18 de Fevereiro deste ano, que foi remetida ao Presidente da República, João Lourenço”, disse.

Após a elaboração do último documento, nos dias 14 e 15 de Março, aconteceu, na província da Lunda-Norte, cidade do Dundo, o encontro entre o Presidente da República e os três governadores provinciais com a presença dos membros da Comissão Económica do Conselho de Ministros”, disse. Para o activista, as recomendações destes encontros vão ao encontro do que tem sido solicitado pela população. “Temos fé que alguma coisa vai acontecer, pois tratou-se de uma reunião com carácter decisório, até porque já não é tempo de campanha eleitoral para dizer que são promessas vãs”, justificou. Por este facto, em função das recomendações da referida reunião, o movimento decidiu sair às ruas em apoio às decisões tomadas e, “de forma indirecta, mostrar ao governo que estamos atentos e que esperamos que estas decisões sejam cumpridas”. “Este é um sentimento da região que nós transportamos. Só não vai participar da marcha quem estiver doente, ausente, ou quem estiver contra o progresso da própria região”, declarou.

Uma organização que reúne os “sábios” da região

O movimento cívico do Leste “Akwa Mana” (em português sábios) surge na sequência das reivindicações que as populações na região vêm fazendo de algum tempo a esta parte fruto das assimetrias regionais. Fazem parte da organização membros da família real dos Reis da Lunda, jornalistas, professores e funcionários públicos. De acordo com os seus integrantes, o movimento cívico não pretende ser visto como regionalistas. “Este movimento não pode ser confundido com aqueles que defendem independência. O nosso propósito é progresso da região Leste em igualdade com outras regiões do País”, ressaltou

15 de Março ficará na história

Os activistas do movimento “Akwa Mana” decidiram fazer do 15 de Março um dia histórico, para celebrar a data, por considerarem ser o dia de início do combate às assimetrias regionais no Leste, Guilherme Martins afirmou que serão realizadas anualmente actividades durante a referida data. O movimento tem também agendado para Maio, próximo, uma excursão a locais históricos da região Leste.